Goiás é o terceiro estado do país com mais delegacias especializadas no atendimento à mulher; veja detalhes

Mais de 14 mil vítimas procuraram a polícia para denunciar situações de violência em 2025, e 17,5 mil novas medidas protetivas foram emitidas

Natália Sezil Natália Sezil -
delegacia, unidade especializada no atendimento a mulheres
(Foto: Reprodução/Google Maps/Joselito Barretinho)

Ameaça, lesão corporal, injúria, importunação sexual, estupro e até feminicídio – são diversos os crimes que são rotineiramente praticados contra as mulheres. Constantemente, casos ganham a atenção do país por conta da brutalidade contra as vítimas, atacadas mesmo pelos próprios companheiros.

Em 2025, unidades especializadas no Atendimento à Mulher da Polícia Civil (PC) de todo o país registraram 782.474 atendimentos relacionados a essas ocorrências.

Ao todo, foram 329.451 vítimas atendidas, o que demonstra que muitas mulheres precisaram voltar para mais de um atendimento.

Em Goiás, 14.101 pessoas do sexo feminino procuraram a PC por diversos motivos. Encontraram atendimento especializado em 34 unidades – o terceiro maior quantitativo estadual em todo o país, atrás apenas de São Paulo (145) e Minas Gerais (72).

Os dados são do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, onde o Governo Federal compilou dados de 2025 quanto às vítimas, crimes praticados e espaços de acolhimento.

No levantamento, as autoridades comprovaram que Goiás tem 0,90 unidade a cada 100 mil mulheres. Nesse quesito, aparece na quinta posição no país.

O estado fica atrás do Tocantins (1,77), Rondônia (1,26), Piauí (1,21), e Sergipe (0,92), e empata com o Espírito Santo (0,90).

Características das unidades

O estudo destaca que, embora cheias de semelhanças, as unidades da Polícia Civil (PC) especializadas no atendimento às mulheres possuem particularidades.

A primeira é quanto ao público: apenas 10 recebem exclusivamente mulheres, enquanto 19 incluem crianças e adolescentes, 10 atendem pessoas LGBTQIA+ e 10 também recebem idosos.

Já a segunda diz respeito aos crimes que podem apurar. Cada unidade tem competências específicas, sem abranger todas as possibilidades no mesmo local.

Das 34, apenas 30 tratam de violência doméstica e familiar; 29 investigam crimes de violência sexual contra mulheres; e um número ainda menor analisa violência sexual contra meninas: 23.

O diagnóstico também analisou quantas unidades especializadas da PC eram acessíveis por meio de transporte público. Das 34 em Goiás, 73% são – o equivalente a 25 delegacias.

O estudo ainda apontou que algumas não têm espaço próprio: metade opera em ambientes que já contam com outros órgãos institucionais.

Além disso, 19 têm sala reservada para atendimento. Sete são usadas em todos os casos, nove são utilizadas na maioria deles, e três na minoria. Quinze unidades não informaram.

Maiores efetivos

Além de aparecer entre os estados com mais unidades de atendimento especializado às mulheres no Brasil, Goiás figura no ranking dos maiores efetivos.

Também aparece em terceiro, com 391 profissionais, novamente atrás de São Paulo (1.708) e Minas Gerais (546).

A lista inclui delegados, agentes, escrivães, psicólogos, assistentes sociais, policiais militares, guardas municipais e outros cargos. Nos recortes por função, as carreiras policiais aparecem mais do que as de apoio à saúde mental.

O diagnóstico aponta que os efetivos têm ficado mais capacitados ao longo dos anos. Enquanto Goiás tinha apenas 31 profissionais especializados em 2023, contava com 115 em 2025, um aumento de 271%.

Crimes em números

O crime mais cometido contra mulheres em Goiás durante 2025 foi o de ameaça, que registrou 6.922 casos. Na sequência, aparecem injúria, com 4.542 ocorrências, e lesão corporal, em 3.246 situações.

A lista segue com violência psicológica, denunciada 1.499 vezes, e perseguição, observada em 1.271 casos. Ainda houve 601 crimes de estupro e 29 registros não autorizados da intimidade sexual.

Ao longo de 2025, Goiás contabilizou 17.554 novas medidas protetivas, com 4.260 suspeitos presos em flagrante.

Quase 12,5 mil inquéritos foram instaurados para apurar denúncias de violência contra a mulher, e mais de 55,3 mil boletins de ocorrência foram formalizados.

Entre as medidas protetivas de urgência, 16.259 foram solicitadas, das quais 48,2% foram aceitas pelas autoridades (7.837). Entretanto, 1.594 foram descumpridas.

Canais de denúncia

Mulheres que estão sofrendo violência podem procurar ajuda por meio de alguns canais. O primeiro deles é o Ligue 180, que orienta como os relatos podem ser encaminhados aos órgãos competentes.

O segundo é o Disque 100, destinado ao recebimento de denúncias de violação aos direitos humanos, envolvendo grupos em situação de vulnerabilidade (como mulheres, população LGBTQIA+ e idosos, por exemplo).

Também há o Disque Denúncia, composto por linhas telefônicas que são mantidas pelos estados ou pela polícia para receber informações relacionadas a crimes. O da PC em Goiás é o 197.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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