Recuperação judicial das Casas Bahia ameaça centenas de empregos em Goiás e pode fechar dezenas de lojas
Levantamento ocorre após Justiça suspender cortes coletivos da varejista, que pediu recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões

A crise enfrentada pelo Grupo Casas Bahia pode atingir diretamente cerca de 400 trabalhadores em Goiás, onde a companhia mantém 27 CNPJs ativos em nota emitida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) ao Portal 6.
Os dados ganham peso em meio ao processo de recuperação judicial da varejista e à tentativa de reduzir a estrutura nacional.
O grupo anunciou o fechamento de 298 lojas e uma rodada de milhares de desligamentos como parte da chamada Fase 2 do Plano de Transformação.
- Candidato ao Senado, Iure Castro defende somente 3 deputados por estado e que mandato para ministros do STF seja de 12 anos
- Por que o Jornal Nacional escolheu Pirenópolis e não Rio Verde para falar de agronegócio em Goiás
- Prefeitura de Goiânia prepara novas propostas para tentar encerrar greve na Educação
A decisão ocorreu após ação apresentada pela CNTC, que alegou ausência de intervenção sindical antes dos cortes.
A liminar também impede novas dispensas em massa ligadas ao plano sem diálogo prévio com as entidades que representam os trabalhadores.
A própria decisão ressalta, no entanto, que isso não impede a empresa de fechar unidades ou reduzir o quadro futuramente, desde que cumpra o procedimento exigido pelo Supremo Tribunal Federal.
Entretanto, a nota assinada pelo presidente da CNTC, Eduardo Amorim, ressaltou que a entidade seguirá em defesa dos direitos dos colaboradores ligados ao grupo.
“O trabalhador não pode pagar por decisões ou dificuldades decorrentes da condução do negócio. A própria CLT estabelece que os riscos da atividade econômica são de responsabilidade do empresário”, destacou.
Onde estão as lojas em Goiás
A relação completa dos 27 CNPJs apontados pela CNTC como ativos no estado não aparece em uma base pública única e atualizada que permita confirmar todos os endereços.
Por isso, o Portal 6 realizou uma pesquisa aberta em bases públicas, cadastros empresariais e plataformas de localização de estabelecimentos e conseguiu identificar algumas das unidades que seguem relacionadas à rede em Goiás.
Em Anápolis, aparecem endereços ligados à Casas Bahia na Avenida Goiás, nº 861, no Setor Central, e no Brasil Park Shopping, na Avenida Brasil.
Em Goiânia, o levantamento encontrou estabelecimentos relacionados à rede na Avenida Anhanguera, no Centro e no Portal Shopping, na Avenida 24 de Outubro, em Campinas, além do Passeio das Águas Shopping e de outros endereços na capital.
Já em Aparecida de Goiânia, aparecem unidades no Buriti Shopping, na Avenida Rio Verde, e em endereços das avenidas da Igualdade e Independência.
Em Rio Verde, a rede aparece em endereço na Avenida Presidente Vargas, nº 1.040, no Setor Central. O CNPJ correspondente constava como ativo em consulta cadastral emitida em maio deste ano.
Também há registros públicos de uma unidade vinculada ao Buriti Shopping da cidade.
Uma publicação oficial do Estado de Goiás, de janeiro de 2026, também relacionava CNPJs do Grupo Casas Bahia em municípios como Formosa, Caldas Novas, Catalão, Jataí, Novo Gama, Trindade, Valparaíso de Goiás, Águas Lindas de Goiás.
Também há registros em Goianésia, Senador Canedo, Cristalina, Porangatu, Quirinópolis, Mineiros, Uruaçu, Planaltina e Santo Antônio do Descoberto, além das quatro principais cidades citadas.
Como a empresa iniciou desde então uma nova etapa de fechamento de lojas, esse levantamento não permite afirmar que todos esses estabelecimentos continuam funcionando.
Justiça cobrou relação das unidades
Na decisão da Justiça do Trabalho, ao conceder a liminar, a juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos determinou que o Grupo Casas Bahia apresente a relação das unidades atingidas pelos fechamentos, com município e CNPJ, além do número de funcionários dispensados em cada estabelecimento.
A empresa também deverá informar as etapas já executadas da reestruturação, eventuais novos cortes programados, critérios usados para redução do quadro e alternativas de realocação analisadas.
Segundo o processo, documentos da própria companhia confirmam que o fechamento das 298 lojas está relacionado ao redimensionamento da rede física e à redução do número de empregados.
A Justiça ponderou, ao mesmo tempo, que a empresa enfrenta uma crise econômico-financeira efetiva.
Dívida bilionária e milhares de cortes
O processo engloba dez empresas da holding, incluindo operações ligadas às marcas Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.com.
A varejista também informou o fechamento de quase 300 unidades e uma nova rodada de demissões. Os cortes se somam a um processo de redução do quadro iniciado em 2023.
Agora, a situação dos aproximadamente 400 trabalhadores ligados aos 27 CNPJs ativos em Goiás dependerá também das negociações entre a companhia e as entidades sindicais.
A decisão judicial não garante a permanência definitiva dos funcionários. Ela exige que qualquer dispensa coletiva relacionada à atual reestruturação seja precedida de informação e oportunidade real de diálogo com os sindicatos.
Em nota ao Portal 6, o Grupo Casas Bahia se limitou a dizer que tomou conhecimento da decisão judicial e avalia os próximos passos cabíveis. Também reforçou que “respeita as determinações da Justiça e prestará os esclarecimentos necessários no âmbito do processo”.
Contudo, mesmo questionado, não confirmou se, no plano de recuperação judicial, há a previsão de fechamento das lojas em Goiás e o número de trabalhadores afetados.
Confira a nota da CNTC na íntegra:
“O comércio varejista vem passando por profundas mudanças, e a atual situação das Casas Bahia demonstra problemas de gestão que não podem ser transferidos aos trabalhadores. O trabalhador não pode pagar por decisões ou dificuldades decorrentes da condução do negócio. A própria CLT estabelece que os riscos da atividade econômica são de responsabilidade do empresário.
Em Goiás, temos atualmente 27 CNPJs ativos das Casas Bahia, com cerca de 400 trabalhadores, que vivem o risco iminente de perder seus empregos sem justa causa, além da insegurança quanto ao recebimento de seus direitos trabalhistas e ao cumprimento dessas obrigações ao longo dos próximos anos.
Diante desse cenário, temos a obrigação de proteger os direitos dos trabalhadores que representamos. Entendemos que a Justiça acolheu, sob o ponto de vista jurídico, o clamor que a CNTC vem fazendo em defesa desses trabalhadores. Qualquer processo de reestruturação ou fechamento deve preservar integralmente os direitos trabalhistas e não pode transferir ao empregado o peso de uma eventual má gestão empresarial.”
Confira também a nota do Grupo Casas Bahia:
“A companhia tomou conhecimento da decisão judicial e está avaliando seus termos e os próximos passos cabíveis. Reforça ainda que respeita as determinações da Justiça e prestará os esclarecimentos necessários no âmbito do processo.”
*Colaborou Augusto Araújo
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!







