Ao contrário do que sugeriu vereadora, Parada LGBTQIA+ de Anápolis teve autorização, acompanhamento da PM e nenhum registro de ocorrência
Organização se pronunciou após Capitã Elizete, sem provas, dizer que crianças foram expostas a "atos libidinosos"

A Parada LGBTQIA+ de Anápolis, realizada no último domingo (23), na Praça Dom Emanuel, teve autorização dos órgãos competentes, acompanhamento da Polícia Militar (PM) durante toda a programação e terminou sem nenhum registro de ocorrência.
As informações ganham relevância após a vereadora Capitã Elizete (PRD) publicar uma nota de repúdio em que afirmou que crianças teriam sido expostas a supostos “atos libidinosos” durante o evento.
Sem apresentar provas da acusação, a parlamentar, que é esposa do deputado estadual Coronel Adailton (Solidariedade), chegou a usar os termos “abuso”, “violência” e “crime”.
Diante da repercussão, o Grupo da Diversidade de Anápolis (GDA), responsável pela organização da parada, divulgou uma nota de esclarecimento.
Ao Portal 6, o advogado Alex Costa, representante legal da entidade, afirmou que a manifestação é realizada anualmente mediante o cumprimento de exigências legais e a emissão das autorizações necessárias pelos órgãos municipais.
O GDA também destacou que existe uma organização prévia para a realização do evento, com definição de horários, orientação para limpeza da praça e recomendações de respeito às demais pessoas que frequentam o espaço público.
Outro ponto ressaltado foi a presença da PM durante toda a programação, das 14h às 22h. O Portal 6 também confirmou que não houve registro de ocorrência relacionado ao evento durante o período.
Na nota, a organização argumenta que, caso alguma conduta criminosa tivesse sido identificada pelos agentes que acompanhavam a parada, as medidas legais poderiam ter sido tomadas naquele momento.
O grupo ainda frisou que não compactua com qualquer conduta criminosa e que eventuais atos individuais devem ser apurados de forma individualizada, sem que sejam automaticamente atribuídos à organização ou ao movimento como um todo.
“A principal pauta do movimento civil da população LGBT+ é por direitos, igualdade e respeito”, afirmou.
A entidade também destacou que pessoas LGBTQIA+ constituem famílias, possuem filhos e compartilham das mesmas responsabilidades relacionadas à proteção de crianças e adolescentes.
Ao final, o GDA afirmou que permanece aberto ao diálogo com órgãos públicos, representantes dos poderes e a sociedade.
Confira a nota da organização na íntegra:
“A Organização da Parada do Orgulho LGBT+ de Anápolis, realizada pelo Grupo da Diversidade de Anápolis, por intermédio de seu representante legal, o advogado Alex Costa, manifesta à sociedade anapolina seu posicionamento acerca das críticas publicadas sobre a concentração do último domingo, na praça Dom Emanuel.
A principal pauta do movimento civil da população LGBT+ é por direitos, igualdade e respeito.
A essência da nossa luta não está em confrontar direitos de outros ou compactuar com qualquer conduta delituosa contra a coletividade.
Para que a parada do Orgulho seja realizada anualmente e possamos ocupar o espaço público, é necessário cumprirmos todas as exigências legais para que sejam emitidas as devidas autorizações pelos órgãos municipais fiscalizadores.
Há uma rigorosa organização do evento, como horários para começar e terminar, a conscientização aos participantes para manter a limpeza da praça e a orientação de respeito à toda a sociedade anapolina.
Todos os anos contamos com o apoio institucional da Polícia Militar do Estado de Goiás que, com total respeito, trabalham para manter a ordem e a segurança de todos os manifestantes, que também fazem parte da sociedade.
Durante todo o evento, das 14h às 22h, a Polícia Militar esteve presente na praça Dom Emanuel, e se, supostamente, alguma conduta criminosa houvesse ocorrido, certo que, como agentes de segurança pública e com poderes ostensivos, iriam efetuar a prisão em flagrante e encaminhar o(a) responsável à Autoridade Policial, o que não ocorreu.
A Lei deve ser aplicada para todos e todas e supostas condutas individuais configuradas como delituosas não são de responsabilidade da organização da parada do orgulho.
A luta da população LGBT+ é legítima, temos famílias e respeitamos as famílias de toda a sociedade. As pessoas LGBT+ também possuem filhos(as), sejam crianças e/ou adolescentes e são os(as) tutores(as) e os(as) genitores(as) os(as) responsáveis legais pela proteção dos infantes, uma vez que o espaço é público.
Estamos à disposição para dialogarmos com todas as entidades públicas, representantes dos poderes e com a sociedade.”
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