Estudo da UEG mostra que, para viver com dignidade em Anápolis, uma família precisaria ter renda de quase R$ 11 mil

Valor estimado caiu em relação ao mês anterior, mas custo da cesta básica continua elevado e colocaria cidade entre as mais caras do país

Lara Duarte Lara Duarte -
Cesta básica em Anápolis caiu para R$ 876,07 em julho, mas ainda teria o terceiro maior valor do país caso a cidade fosse uma capital. (Foto: Reprodução/Prefeitura de Anápolis)
Cesta básica em Anápolis caiu para R$ 876,07 em julho, mas ainda teria o terceiro maior valor do país caso a cidade fosse uma capital. (Foto: Reprodução/Prefeitura de Anápolis)

Uma família de quatro pessoas precisaria ter renda mensal de R$ 10.996,66 para conseguir arcar adequadamente com despesas básicas em Anápolis.

É o que aponta o levantamento divulgado nesta segunda-feira (14) pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Universidade Estadual de Goiás (NEPE-UEG).

O cálculo considera gastos previstos constitucionalmente para uma vida digna, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O valor equivale a aproximadamente 6,78 salários mínimos, considerando o piso vigente de R$ 1.621.

Apesar de ainda elevado, o resultado de julho representa uma redução em relação ao mês anterior. Em junho, o salário mínimo necessário estimado para uma família anapolina havia chegado a R$ 11.319,12.

A queda acompanha um movimento de deflação observado na cesta básica da cidade.

Cesta básica ficou mais barata

Em julho, a cesta básica pesquisada em Anápolis custou R$ 876,07, uma redução de 2,85% na comparação com junho, quando havia alcançado R$ 901,76.

Mesmo com o recuo mensal, o preço continua significativamente acima do registrado um ano antes. Em relação a julho de 2025, houve aumento de 12,92%.

Entre os produtos pesquisados, o tomate apresentou a maior queda de preço no mês, com redução de 34,19%. Na outra ponta, o macarrão teve a maior alta, de 14,83%.

A pesquisa acompanha preços em sete supermercados de Anápolis e utiliza como referência a metodologia adotada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Anápolis tem uma das cestas básicas mais caras do país

O valor da cesta básica chama ainda mais atenção quando comparado aos preços registrados nas capitais brasileiras.

Segundo o levantamento, caso Anápolis integrasse a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, ocuparia a 3ª posição entre as capitais com maior custo.

Em julho, a cesta anapolina de R$ 876,07 ficaria atrás apenas de São Paulo, com R$ 915,01, e Cuiabá, com R$ 881,27.

A diferença também aparece na comparação com Goiânia. Na capital goiana, o custo apurado foi de R$ 792,79, cerca de R$ 83 a menos do que em Anápolis.

Mais de duas semanas de trabalho só para comer

O impacto fica ainda mais evidente quando o valor é comparado à renda de quem recebe um salário mínimo.

Em julho, um trabalhador com remuneração equivalente ao piso precisou comprometer 58,43% do salário mínimo líquido apenas para comprar uma cesta básica.

Considerando uma jornada de 44 horas semanais, seriam necessárias 118 horas e 54 minutos de trabalho, o equivalente a aproximadamente 16,2 dias úteis, somente para adquirir os alimentos incluídos no levantamento.

A estimativa de renda necessária leva em consideração que a alimentação representa 23,9% das despesas de famílias de menor renda em Goiás, conforme dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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