Dólar ronda a estabilidade e Bolsa cai com cenário eleitoral no radar

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Dólar fecha em alta com dados de inflação nos EUA; Bolsa fica estável com IPCA-15
(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar ronda a estabilidade nesta quinta-feira (3), com investidores ajustando posições após os movimentos expressivos registrados no pregão da véspera em meio ao cenário eleitoral brasileiro.

O tema permanece no radar, enquanto investidores aguardam a divulgação de pesquisa Datafolha. O levantamento será divulgado após o fechamento do mercado, mas analistas esperam que os dados reforcem o cenário de uma disputa mais acirrada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.

Por volta das 16h, o dólar recuava 0,08%, a R$ 5,101, próximo da estabilidade. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,21%, aos 184.812 pontos.

O movimento é oposto ao observado na véspera, quando os ativos domésticos tiveram um pregão positivo apesar do desempenho negativo no exterior. Na quarta-feira, o Ibovespa encerrou na maior alta registrada desde março e no maior valor de fechamento desde maio, enquanto o dólar recuou a R$ 5,106.

Nesta quinta-feira, o cenário externo é mais positivo. As Bolsas americanas sobem em bloco, com o Nasdaq registrando a maior alta entre os principais índices, de 1,36%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras seis divisas fortes, recua 0,73%, aos 98,86 pontos.

A realização de lucros ocorre após 11 pregões consecutivos de alta da Bolsa brasileira e três sessões seguidas de queda do dólar.

Os ativos domésticos têm sido impulsionados pelo cenário eleitoral nos últimos pregões. O movimento é impulsionado pelo aumento da percepção de uma possível alternância de poder nas eleições.

Na Quest, o presidente Lula (PT) registrou 37% das intenções de voto no primeiro turno das eleições de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 30%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2).

Trata-se do primeiro levantamento nacional feito pelo instituto após o início oficial da campanha eleitoral. O cenário é de relativa estabilidade em relação à rodada anterior, divulgada em 14 de agosto, quando o petista tinha 38% das intenções de voto, ante 31% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No segundo turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio Bolsonaro, em cenário de empate técnico. Em 14 de agosto, os dois também apareciam tecnicamente empatados, com 43% e 40%, respectivamente.

O resultado se somou a outras pesquisas que apontam um estreitamento da diferença entre os líderes da disputa. Nesta quinta, a pesquisa Datafolha será divulgada por volta das 19h.

Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem um perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente.

Segundo Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, existe uma preferência entre os investidores pela alternância de governo.

“Há a percepção de que um novo governo poderia ser mais conservador fiscalmente. Por isso, essa recuperação da competitividade de Flávio Bolsonaro aumenta as esperanças de uma vitória dele nas eleições de outubro, diminui a percepção de risco dos ativos nacionais e favorece o fortalecimento da moeda brasileira”, diz.

O exterior também continua no radar dos investidores. Nesta quinta-feira, o diretor do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), Christopher Waller, afirmou que pode defender manutenção da taxa de juros neste mês, caso os dados confirmem que as pressões sobre os preços estão diminuindo. A próxima reunião do Fed está marcada para 15 e 16 de setembro.

“Minha decisão sobre a postura adequada da política monetária será fortemente influenciada pelo que soubermos sobre a inflação de agosto”, disse Waller em evento.

Na última semana, em discurso em Jackson Hole, o presidente da instituição, Kevin Warsh, disse que o banco central dos EUA terá trabalho a fazer caso a inflação do país não retorne à meta de 2%.

O discurso de Waller contrasta com o de Warsh e sugere dissidências internas no Fed. “Declarações de Waller reduziram parcialmente as expectativas de alta dos juros americanos”, afirma Nicolas Gomes, analista de câmbio da Manchester Investimentos.

Uma postura menos restritiva do Fed em relação a juros fortalece ativos de risco e desvaloriza investimentos de segurança, caso do dólar e dos Treasuries, títulos do Tesouro Americano.

Na sexta-feira, o relatório de emprego (payroll), principal indicador de emprego acompanhado pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), de agosto será divulgado. A expectativa é de abertura de 55 mil vagas em agosto, segundo economistas consultados pela Bloomberg. O dado indica o nível de aquecimento da economia americana.

Em paralelo, o regime do Irã chamou os Estados Unidos de Satã na quarta, após acusar as forças americanas de matar cinco pessoas, entre elas uma criança, durante uma festa de casamento no sul do país. Autoridades de Washington não confirmam envolvimento de seus militares no ataque.

Na terça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer acordo assinado com o Irã “não vale o papel no qual é escrito” e que Washington deu “muitas chances” a Teerã para que a guerra acabasse.

O conflito voltou a escalar após os EUA atacarem dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz, no final de semana. A intensificação das hostilidades aumenta os riscos para o fluxo de petróleo na região, pressiona as cotações da commodity e pode ampliar as pressões inflacionárias.

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