Carmen Vázquez, especialista em arquitetura: “Nem toda mancha de umidade na parede tem a mesma causa, e cada uma tem sua solução”

Localização da marca, pintura descascada e até o momento em que ela aparece ajudam a descobrir de onde a água realmente está vindo

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Como acabar de vez com o mofo na parede
(Foto: Reprodução/Captura de tela/ Youtube)

Uma mancha escura perto do rodapé pode parecer igual àquela que surge no teto depois de uma chuva. No entanto, tentar resolver as duas da mesma maneira pode significar gastar dinheiro e ver o problema reaparecer pouco tempo depois.

A especialista em arquitetura Carmen Vázquez explica que nem toda mancha de umidade na parede tem a mesma origem. De forma geral, três causas aparecem com frequência nas casas: capilaridade, infiltração e condensação.

Antes de raspar, aplicar massa ou pintar novamente, portanto, o mais importante é identificar de onde vem a água.

Onde a mancha aparece

A umidade por capilaridade normalmente começa na parte inferior da parede. Nesse caso, a água presente no solo sobe pelos materiais porosos da construção e pode provocar salitre, reboco esfarelando e pintura descascada.

Quando esse é o problema, melhorar apenas o acabamento não basta. É necessário bloquear a subida da água, o que pode envolver uma barreira contra a umidade ascendente ou outro sistema de impermeabilização adequado à construção.

Já a infiltração ocorre quando a água entra por algum ponto específico. Tubulações com vazamento, fissuras na fachada, telhado, calhas e falhas de impermeabilização estão entre as possibilidades.

Uma pista importante é observar se a mancha aumenta depois de chover ou se fica próxima a banheiros e cozinhas. Primeiro é preciso consertar a entrada de água e permitir que a parede seque; só depois vem a recuperação do revestimento.

Por isso, recuperar uma parede afetada pela umidade começa pela identificação da causa, e não pela escolha da tinta.

Quando o problema está no ar

A condensação funciona de outro jeito. Ela acontece quando o vapor presente no ambiente encontra uma superfície fria e se transforma em pequenas gotas de água.

É comum em banheiros, cozinhas, quartos pouco ventilados e paredes externas frias. Janelas molhadas pela manhã, cheiro de ambiente fechado e pequenos pontos de mofo são sinais que podem acompanhar o problema.

Nesses casos, aumentar a circulação de ar, utilizar corretamente exaustores e reduzir o acúmulo de vapor costuma ajudar. Melhorar o isolamento térmico também pode diminuir a condensação, e placas de EPS são usadas em alguns casos para reduzir o contato do ar úmido com paredes muito frias.

Nenhuma dessas características, isoladamente, substitui uma avaliação técnica quando a origem não está clara. O principal é evitar a solução automática de raspar e pintar: sem eliminar a causa da água, a nova pintura pode acabar escondendo apenas temporariamente o problema.

Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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