Daniel Vilela confortável e Senado embolado: cientista político aponta o que pode decidir eleição em Goiás
Guilherme Carvalho avalia que Daniel Vilela chega em posição consolidada, enquanto Marconi enfrenta rejeição alta e Wilder ainda precisa ganhar competitividade. Para o Senado, disputa segue mais aberta

A segunda rodada da Paraná Pesquisas/Portal 6, mostrou um cenário de estabilidade na disputa pelo Governo de Goiás e uma corrida bem mais embolada pelas duas vagas ao Senado.
Para o cientista político Guilherme Carvalho, os números reforçam a percepção de que a eleição para governador tem pouca margem para grandes mudanças, enquanto a disputa pelo Senado ainda pode ser decidida nos detalhes.
Ao Portal 6, ele avaliou que a campanha estadual vive um momento de pouca mobilização. Segundo ele, mesmo com parte do eleitorado ainda indecisa, há pouca movimentação capaz de alterar de forma significativa a posição dos principais candidatos.

Guilherme Carvalho, cientista político. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
“Não acho que haja muito a ser feito para mudar o quadro que a gente está assistindo”, afirmou.
Daniel consolidado e adversários com desafios diferentes
No cenário estimulado da pesquisa, Daniel Vilela aparece com 45,1% das intenções de voto, seguido por Marconi Perillo, com 23,2%, e Wilder Morais, com 15%.
O cientista político pondera que o governador ainda não aparece, aritmeticamente, com votos suficientes para garantir a vitória em primeiro turno.
Esse cenário, segundo Guilherme, também ajuda a explicar o ritmo da campanha. Ele avalia que Marconi e Wilder enfrentam obstáculos distintos para tentar mudar a configuração atual.
Para Guilherme, esse patamar de rejeição dificulta a expansão do eleitorado do tucano, mesmo com uma base política consolidada.
Wilder cresce, mas campanha é criticada
Wilder aparece em trajetória diferente. O senador saiu de 11,5% em julho, chegou a 13,2% em agosto e agora registra 15%.
Mesmo com esse avanço, Guilherme avalia que a campanha ainda não conseguiu transformar o crescimento num movimento suficientemente forte para ameaçar Marconi.
“O Wilder vem fazendo uma péssima campanha, uma campanha muito lenta, uma campanha sem engajamento”, afirmou.
Segundo o cientista político, por ser o candidato do PL, Wilder poderia adotar uma postura mais agressiva eleitoralmente, mas esse não seria o perfil mostrado por ele até aqui.
Guilherme acredita que uma das poucas possibilidades capazes de alterar o quadro seria uma aproximação maior entre Wilder e Marconi, capaz de estimular um eventual voto útil.
Nesse cenário, eleitores que rejeitam Daniel poderiam migrar para o candidato que demonstrasse mais condições de enfrentá-lo.
Parte desse movimento poderia vir, segundo Guilherme, de eleitores do interior que possuem identificação histórica com o marconismo, mas também simpatizam com o bolsonarismo.
Mesmo assim, ele considera essa possibilidade distante. “O que a campanha vem mostrando é pouca atratividade até o momento”, disse.
Senado tem cenário diferente
Se a corrida pelo Governo de Goiás apresenta posições mais consolidadas, a avaliação sobre o Senado é outra.
Gracinha Caiado lidera a pesquisa estimulada com 42,7%, seguida por Gustavo Gayer, com 27,6%. Logo depois aparecem Zacharias Calil, com 22%, Vanderlan Cardoso, com 21,6%, e Gustavo Mendanha, com 18,3%. Cada eleitor pode escolher até dois candidatos.
Para Guilherme, a principal característica desse grupo é que todos os nomes mais competitivos contam com bases próprias e têm algum ativo eleitoral capaz de mantê-los na disputa.
“Todo mundo é bom de voto. Esse é o problema. Todo mundo tem muita base”, resumiu.
Na análise do cientista político, isso dificulta previsões mais definitivas sobre quem ficará com as duas vagas.
O que favorece cada candidato
“Ela tem serviços entregues, tem o recall do marido e o recall dela enquanto alguém com papel muito importante na assistência social em Goiás”, explicou.
Gustavo Gayer, por sua vez, tem como principal força uma base ideológica consolidada. O desafio seria ampliar esse eleitorado.
Guilherme avalia que o deputado possui um “teto” justamente por ter se tornado um político muito ligado a um nicho específico.
“Ele tem muita rejeição pelo fato de ter se tornado um político tão nichado que tem dificuldades em sair dessa base dura do bolsonarismo”, disse.
O cientista político observa que Gayer tem buscado uma postura mais moderada, mas considera que ele ainda dispõe de poucas entregas concretas como parlamentar para ampliar a base por esse caminho.
Zacharias, Mendanha e Vanderlan
Zacharias Calil aparece em situação diferente. Para Guilherme, a força dele passa pela carreira na medicina e por uma imagem que ultrapassa parte das divisões partidárias.
“Ele é um parlamentar que transcende. É um tipo de voto agradável para o segundo voto, alguém com um perfil que transcende a política tradicional”, afirmou.
A leitura é de que ele pode atrair eleitores que escolham um primeiro nome por identificação partidária e procurem uma segunda opção de perfil mais técnico.
Gustavo Mendanha também entra nesse grupo competitivo por razões próprias.
Guilherme destaca principalmente o legado deixado pela passagem dele pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia. “Ele foi um prefeito muito bem avaliado, tem um recall muito alto”, afirmou.
Além disso, o cientista político considera que Mendanha conseguiu transformar episódios recentes da campanha em uma narrativa favorável. “Ele conseguiu tentar emplacar a visão de vítima. Em termos de marketing, é muito importante”, avaliou.
Já Vanderlan Cardoso teria como principal trunfo a força municipalista. “É apoiado por todos os prefeitos da Região Metropolitana, tem estrutura, tem muita entrega de base municipalista, muita emenda entregue”, afirmou Guilherme.
“Vai ser definido no detalhe”
Diante de candidatos com perfis tão diferentes e bases próprias, Guilherme considera difícil apontar antecipadamente qual fator será decisivo na eleição para o Senado.
A avaliação é de que movimentos aparentemente pequenos podem terminar fazendo diferença na reta final.
“Vai ser definido no detalhe. Pode ser uma cidade a mais onde se entregou algum serviço, pode ser um evento por último que compareceu. É difícil dizer a priori”, afirmou.
Para ele, essa é justamente a principal diferença entre as duas disputas. Enquanto o cenário para governador mostra posições mais cristalizadas, o Senado ainda reúne nomes competitivos suficientemente próximos para manter a eleição aberta.
Pesquisa ouviu mais de 1,2 mil eleitores
A Paraná Pesquisas/Portal 6 ouviu 1.248 eleitores em 61 municípios de Goiás, entre os dias 8 e 10 de setembro, por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais.
A margem de erro é de aproximadamente 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número GO-03096/2026.
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