Pecuarista permite a instalação de 50 turbinas eólicas em fazenda de 2,8 mil hectares e, 20 anos depois, mantém o gado no pasto enquanto recebe metade da renda com a energia do vento

Há duas décadas, um pecuarista decidiu dividir a propriedade entre o gado e a energia eólica

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
criação de gados e produção de energia eólica
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial)

Por mais de um século, a família de Pete Ferrell vive da criação de gado nas pradarias do Kansas, nos Estados Unidos. No entanto, há cerca de 20 anos, o pecuarista decidiu acrescentar uma nova atividade à propriedade.

Em 2005, 50 turbinas eólicas começaram a funcionar no rancho de aproximadamente 2,8 mil hectares. Desde então, o gado continua ocupando os pastos enquanto as enormes estruturas geram eletricidade.

Gado continua no pasto

As turbinas fazem parte do Elk River Wind Project, parque que possui 100 equipamentos e capacidade total de 150 megawatts. Metade das estruturas fica na propriedade de Ferrell.

Apesar do tamanho das máquinas, a instalação não eliminou a atividade pecuária. Cerca de 50 acres, aproximadamente 20 hectares, deixaram de servir ao pastoreio por causa das bases das turbinas, estradas e estruturas de apoio.

Na prática, portanto, a maior parte do terreno continuou disponível para os animais.

O vento virou renda

A principal mudança apareceu no lado financeiro. Os pagamentos recebidos pela utilização da área para geração de energia passaram a complementar a renda obtida com a criação de gado.

Atualmente, os royalties da energia eólica representam aproximadamente metade da renda anual de Ferrell.

Essa fonte adicional também ajuda a reduzir a dependência do clima. Em uma atividade como a pecuária, períodos de seca podem comprometer o pasto e afetar os resultados do negócio.

A geração de energia, por outro lado, acrescentou uma receita ligada ao vento que sopra sobre a propriedade.

turbina de energia eólica

(Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)

Ideia demorou para convencer

Ferrell não aceitou imediatamente a proposta de instalar as turbinas. Segundo relatos sobre sua trajetória, ele inicialmente demonstrou resistência diante da possibilidade de alterar a paisagem e perder espaço para a pecuária.

Depois de conhecer outras propriedades onde turbinas e criação de gado conviviam, porém, mudou de posição. O parque foi concluído em 2005 e, desde então, as duas atividades dividem o mesmo terreno.

A própria família já tinha uma relação antiga com a energia produzida pelo vento. Em 1923, o bisavô de Ferrell instalou uma pequena turbina eólica para fornecer eletricidade à casa, numa época em que a propriedade ainda não estava conectada à rede elétrica.

Pecuária e energia no mesmo lugar

Duas décadas depois, o cenário é bem diferente daquele de 2005. As turbinas continuam produzindo eletricidade e o gado segue pastando ao redor das estruturas.

Assim, o rancho encontrou uma maneira de combinar uma atividade tradicional da família com uma fonte de renda ligada à energia renovável.

Para Ferrell, o vento acabou se tornando uma espécie de segunda atividade econômica da propriedade, sem substituir a pecuária que sustenta a família há gerações.

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