Governo planeja substituir ponte histórica e agricultores agora querem milhões reservados porque nova travessia pode acelerar construções e acabar com áreas rurais
A obra ainda está a anos de começar, mas uma consequência prevista longe da água já mobiliza famílias que dependem da terra há gerações

A nova travessia planejada sobre a Baía de Chesapeake, nos Estados Unidos, promete aumentar a capacidade de uma ligação rodoviária usada há mais de sete décadas. Para agricultores de Maryland, porém, a preocupação começa quilômetros depois do fim da ponte.
Produtores e entidades de conservação temem que estradas maiores e viagens mais rápidas tornem as terras agrícolas da Eastern Shore mais atraentes para novos bairros, comércios e outros empreendimentos.
Por isso, passaram a pressionar o estado para que parte dos recursos relacionados ao projeto seja destinada à preservação permanente de propriedades rurais.
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A discussão envolve uma região onde agricultura não é apenas parte da paisagem. Em três dos condados afetados, o setor responde por aproximadamente 22% das vendas agrícolas de Maryland.
Ponte atual tem mais de 70 anos
A Chesapeake Bay Bridge conecta Sandy Point a Kent Island e possui aproximadamente 6,9 quilômetros de extensão.
Na verdade, o conjunto é formado por dois vãos construídos em períodos diferentes.
A primeira ponte foi inaugurada em 1952. A segunda começou a operar em 1973, aumentando a capacidade da ligação entre as duas margens da baía.
Agora, a Maryland Transportation Authority estuda uma transformação muito maior.
A alternativa recomendada prevê duas novas estruturas, cada uma com quatro faixas e acostamentos completos, além da retirada das pontes atualmente utilizadas.
Trechos das rodovias US 50 e US 301 também seriam ampliados para oito faixas, quatro em cada direção.
O projeto prevê ainda maior altura livre para navegação, permitindo a passagem de embarcações maiores, além da possibilidade de uma pista compartilhada para ciclistas e pedestres.
Obra pode superar US$ 14 bilhões
O tamanho do projeto aparece também nas estimativas financeiras.
Documentos da autoridade de transportes calculam que a Alternativa C custaria entre US$ 14,8 bilhões e US$ 16,4 bilhões sem a via para ciclistas e pedestres.
Caso esse elemento seja incluído, a previsão sobe para algo entre US$ 16,1 bilhões e US$ 17,6 bilhões.
Ainda são valores de planejamento.
A etapa ambiental também não terminou. A Administração Rodoviária Federal e a autoridade de Maryland esperam publicar em novembro de 2026 o documento que deverá identificar oficialmente a alternativa selecionada.
Se o cronograma for mantido, o desenho definitivo começará na primavera norte-americana de 2028.
A construção está prevista para o verão de 2032.
Preocupação está do outro lado da ponte
Enquanto engenheiros discutem estruturas, altura e capacidade viária, produtores observam o que pode acontecer com as terras próximas às rodovias.
Um levantamento ligado ao projeto identificou mais de 111 mil acres vulneráveis à pressão de crescimento e desenvolvimento nos condados de Caroline, Queen Anne’s e Talbot.
Isso corresponde a quase 45 mil hectares.
O território inclui fazendas, florestas e áreas próximas a cursos d’água.
A preocupação é que uma ligação rodoviária mais eficiente valorize terrenos e aumente a procura por novas construções.
Com mais residências e estabelecimentos ao longo do corredor, áreas que hoje produzem milho, soja, frutas e outros alimentos poderiam deixar definitivamente de ser usadas na agricultura.
Agricultores pedem fundo específico
Diante dessa possibilidade, a Eastern Shore Land Conservancy começou a discutir a criação de um fundo voltado exclusivamente para preservar terras.
Os condados de Queen Anne’s, Caroline e Talbot apoiaram uma carta defendendo a ideia.
Por enquanto, entretanto, não existe um valor aprovado.
Carol Bean, responsável pelas políticas de uso da terra da organização, afirmou que o fundo ainda é apenas um conceito e que as negociações continuam com órgãos estaduais.
Jay Falstad, da Queen Anne’s Conservation Association, foi mais específico ao dimensionar o pedido.
Segundo ele, se o estado pretende gastar alguns bilhões de dólares na nova ponte, deveria estar preparado para separar algumas centenas de milhões para a conservação das terras.
A declaração não significa que Maryland já tenha reservado essa quantia.
Trata-se de uma reivindicação das organizações envolvidas.
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