Mônica Rayol, especialista em luxo: “para ter um dos cartões mais exclusivos do mundo, dinheiro não basta, é preciso ser convidado”
Mesmo uma conta bancária milionária não garante acesso automático a um produto cercado de critérios que a própria empresa prefere não revelar

Ter patrimônio elevado não significa conseguir automaticamente um dos cartões mais exclusivos do mundo. A estrategista de marca Mônica Rayol chama atenção para uma característica comum aos produtos posicionados no topo do mercado de luxo: em alguns casos, pagar não basta.
Um dos exemplos mais conhecidos é o Centurion Card, da American Express, popularmente chamado de Black Card.
O produto é destinado a um grupo restrito e continua sendo oferecido por convite.
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Não existe inscrição convencional
Diferentemente de um cartão comum, o interessado não simplesmente preenche uma proposta e aguarda a análise de crédito.
Clientes que já possuem cartões da American Express podem manifestar interesse em receber uma avaliação para o Centurion.
Isso, porém, não representa uma solicitação formal e tampouco obriga a empresa a enviar um convite.
A própria American Express não divulga publicamente todos os requisitos usados para escolher quem pode entrar no grupo.
Relatos do setor costumam apontar histórico elevado de gastos e relacionamento anterior com a instituição como fatores relevantes, mas não existe um valor público que garanta a aprovação.
É justamente essa barreira que sustenta parte da exclusividade.
O Portal 6 já mostrou que cartões premium podem oferecer benefícios como acesso ilimitado a salas VIP e serviços diferenciados.
Taxas também são altas
Nos Estados Unidos, o Centurion possui taxa inicial de US$ 10 mil e anuidade de US$ 5 mil.
Em troca, reúne benefícios ligados principalmente a viagens, hotéis, aeroportos, eventos e atendimento personalizado.
Entre eles estão acesso a lounges da American Express, concierge, status elevados em determinados programas de hotéis e companhias aéreas e experiências reservadas a clientes selecionados.
Ainda assim, conseguir pagar as taxas não é suficiente para ter o cartão.
É necessário passar pela seleção da emissora e receber efetivamente o convite.
Essa lógica também aparece em outros segmentos do luxo, nos quais existem lugares e experiências em que possuir dinheiro não garante acesso.
Assim, o que transforma esses cartões mais exclusivos do mundo em símbolos de status não são apenas os limites ou benefícios disponíveis, mas também a barreira criada entre quem pode pagar e quem efetivamente é escolhido para entrar.
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