Especialistas em psicologia concordam: “Quem prefere ficar longe dos outros em lugares públicos pode estar apenas recarregando a energia emocional”

Escolher um assento distante pode oferecer calma e sensação de controle, mas o comportamento isolado não define personalidade ou transtorno

Angelina de Paula Angelina de Paula -
Especialistas em psicologia concordam: “Quem prefere ficar longe dos outros em lugares públicos pode estar apenas recarregando a energia emocional”
(Foto: Reprodução/Pexels)

Em um ônibus, sala de espera ou praça, escolher o assento mais afastado nem sempre significa timidez ou rejeição.

Em alguns casos, a distância cria uma pausa voluntária, reduz estímulos e ajuda a recuperar a calma depois de muita interação.

Essa possibilidade encontra apoio em pesquisas sobre solidão voluntária.

No entanto, nenhum comportamento isolado permite concluir o que a pessoa sente ou qual traço de personalidade possui.

O que mostram os estudos

Os psicólogos vietnamita e norte-americanos, respectivamente, Thuy-vy Nguyen, Richard Ryan e Edward Deci analisaram a solidão como forma de autorregulação afetiva.

Em quatro estudos, 15 minutos a sós reduziram emoções de alta ativação, positivas e negativas; além disso, participantes que escolheram ficar sozinhos relataram mais relaxamento e menos estresse.

Em uma revisão posterior, Nguyen e a pesquisadora norte-americana, Micaela Rodriguez, reforçaram que momentos de solidão podem favorecer calma, descanso e regulação emocional.

Contudo, os resultados dependem da duração, da motivação e dos pensamentos presentes naquele período.

Em outro estudo, a psicóloga norte-americana, Kira Birditt, da Universidade de Michigan, acompanhou 313 adultos com 65 anos ou mais.

A análise encontrou menos emoções negativas durante períodos sem contato social entre pessoas com relações mais conflituosas, o que sugere uma função adaptativa em determinados contextos.

Distância não define personalidade

O psicólogo norte-americano, Frank T. McAndrew, professor emérito do Knox College, explica que as pessoas também buscam segurança e controle sobre os espaços que ocupam.

Assim, sentar longe pode refletir conforto, privacidade ou necessidade de concentração, além de uma pausa emocional.

Porém, “recarregar a energia” é uma expressão informal, não um diagnóstico psicológico.

A mesma escolha pode resultar de barulho, cansaço, preferência pelo assento ou ansiedade; portanto, apenas a própria pessoa pode esclarecer o motivo.

Se o afastamento provocar sofrimento ou limitar relações e atividades cotidianas, vale buscar avaliação profissional.

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