Wilder e Marconi devem partir para confronto direto na última semana antes do primeiro turno, avalia cientista

Levantamento mostra disputa apertada pela segunda colocação na reta final do primeiro turno

Ícaro Gonçalves Ícaro Gonçalves -
Marconi e Wilder
Candidatos devem acirrar o confronto de olho no segundo turno (Imagens: Arquivo Portal 6)

Na última semana de campanha antes do primeiro turno, as candidaturas ao Governo de Goiás entram em um momento decisivo.

Conforme apontado pela terceira rodada da Paraná Pesquisas/Portal 6, divulgada nesta segunda-feira (28), o cenário é acirrado, especialmente entre os candidatos listados em segundo e terceiro lugar, com chances de ir para o segundo turno.

No levantamento, Daniel Vilela (MDB) aparece com 45,6% das intenções de votos, no cenário estimulado. Wilder Morais (PL) aparece na sequência, com 18,5%, e Marconi Perillo (PSDB) em terceiro lugar, com 18,4%. Os dois estão tecnicamente empatados.

Se considerados apenas os votos válidos, Daniel salta para 50,5%, cenário em que ganharia no primeiro turno, Wilder fica com 20,5% e Marconi com 20,4%.

Para o cientista político Guilherme Carvalho, embora o encerramento do pleito já no primeiro turno seja uma possibilidade real, o desenho mais realista é de ocorrer o segundo turno.

As campanhas, portanto, entram na última semana focadas em evitar erros e garantir o engajamento dos eleitores indecisos.

“Acredito que a pesquisa não mostra nenhuma mudança substantiva de cenário”, avalia Carvalho. “Wilder e Marconi empatados na margem de erro, e o que eles precisam é consolidar o cenário para avançar para um segundo turno.”

Estratégias do segundo pelotão

Enquanto Daniel Vilela lidera isolado na corrida eleitoral, os candidatos do segundo pelotão disputam palmo a palmo a vaga no possível segundo turno. A estratégia que resta para Wilder e Marconi é buscar a diferenciação mútua para atrair o eleitorado.

Para o cientista político, os adversários da oposição devem ‘calibrar a mira’ nesta última semana, focando no confronto direto entre si.

“É hora de marcar posição. Marconi tem que marcar que Wilder não tem experiência na gestão pública, porque fazer gestão pública é muito diferente de fazer gestão privada”, analisa o especialista. “Ao mesmo tempo, Wilder precisa atacar os escândalos nos quais Marconi está envolto para tentar causar essa diferenciação.”

No terceiro pelotão, Luis Cesar Bueno busca ampliar a presença ao se posicionar como o principal representante do governo federal no estado. Embora tenha margem de votos menor, a atuação do petista pode influenciar diretamente a definição da disputa em primeiro turno.

O avanço registrado nas pesquisas mostra que Luis Cesar tem margem para atrair novos eleitores na reta final da campanha. No entanto, o desafio principal continua sendo o tamanho do eleitorado cativo que o sustenta nessa faixa da disputa.

“Eu diria que os votos do Luis Cesar são hoje o grande impeditivo para o Daniel conseguir arrematar, agora, em primeiro turno”, aponta o cientista político. “Isso pode atrapalhar um pouquinho mais e vender esse jogo caro no segundo turno.”

Riscos da reta final

Para quem lidera as intenções de voto com margem próxima à vitória em primeiro turno, o caminho deve seguir o contato corpo a corpo com a população. A avaliação é de que estratégias mirabolantes de última hora costumam trazer mais riscos do que retornos efetivos.

“Em uma eleição marcada por um processo de baixa adesão, o mais acertado é o contato corpo a corpo”, destaca Guilherme. “O básico bem feito funciona, ainda mais de última hora, que não é momento de tudo ou nada.”

O principal perigo nesta fase está em cometer deslizes em pronunciamentos ou tocar em assuntos polêmicos que possam afastar o eleitor. O ambiente de alta emoção nas urnas exige cautela redobrada dos candidatos.

Fugir de divididas e manter o foco nas propostas consolidadas deve ser agenda adotada por todos os postulantes.

“O erro central é falar o que não deve, porque esse é um momento em que o eleitor está com as emoções muito afloradas”, conclui o analista. “Então, evitar polêmicas desnecessárias é o caminho para não secar na campanha.”

A Paraná Pesquisas/Portal 6 entrevistou presencialmente 1.352 eleitores em 62 municípios de Goiás, entre os dias 25 e 27 de setembro. A margem de erro para os resultados gerais é de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número GO-07040/2026.

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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