Viúva de Amilton Filho aceita ir para o sacrifício e faz apelo para realizar sonho do marido
Psicóloga e sem experiência política, Carol concorre com o 15100 de Amilton Filho a pedido da família. Na urna, domingo, ainda vai aparecer o nome e a foto do deputado

Ana Caroline Guimarães, a Carol, de 37 anos, aceitou concorrer a deputada estadual pelo MDB no lugar do marido, Amilton Filho (MDB), morto aos 41 anos na madrugada de sábado (26) em acidente automobilístico em Cristalina.
O aceite foi anunciado na noite desta segunda-feira (28), em Anápolis, e veio acompanhado de um apelo: realizar o sonho que Amilton se preparou para cumprir no domingo, 4 de outubro, o de ser o deputado estadual mais votado de Goiás.
“Esse era o sonho do Amilton: ser o mais votado do estado”, disse ela.
O nome de urna é “Carol do Amiltinho” e o número continua o mesmo: 15100. Quem digitar 15100 no domingo vai ver na tela o nome e a foto de Amilton, porque a Justiça Eleitoral não tem tempo de alterar o sistema, mas estará votando em Carol.
É a primeira experiência política da vida dela. Amilton não apenas se preparou para ser o mais votado: já tinha pelo menos 16 votos para suceder Bruno Peixoto (UB) no comando da Alego.
O mundo político passou o dia inteiro de olho em Anápolis. Não apenas o de Anápolis, mas o de todo o Estado, com olhos, ouvidos e olheiros na cidade à espera do encaminhamento que a família Batista e o prefeito Márcio Corrêa (PL) dariam à substituição, permitida pela legislação eleitoral em caso de morte do candidato.
A resposta veio à noite, com muito improviso e sem convite formal à imprensa, diante de militantes que já estavam organizados e apareceram por conta própria para saber o que seria da vida deles a partir dali.
Carol chegou vestida de preto, triste, abatida e destruída. Dois dias antes tinha enterrado o marido, pai dos dois filhos dela, menores de idade, que tinham no pai o melhor amigo.
“Estes últimos dias têm sido os dias mais difíceis da minha vida. Eu nunca imaginei passar por uma situação dessa”, disse às pessoas que a esperavam.
A decisão de concorrer não partiu de Carol. Partiu da família, que avaliou que ela reunia todas as condições, do ponto de vista legal, de imagem e de narrativa, para preservar o potencial de votos que se esperava de Amilton: acima de 60 mil, com chance real de passar de 70 mil no estado.
Logo ela, que nunca teve interesse em disputar cargos públicos. E isso aumenta, e muito, a responsabilidade de quem a pressionou. Carol aceitou, e a fé apareceu na boca dela, não na de terceiros.
“O meu ‘sim’ hoje é por cada uma das famílias, por cada um dos projetos, por cada mão de cada prefeito. Hoje eu tô acabada, mas eu confio que o Senhor vai me capacitar e vai me fazer forte ao ponto de continuar o legado do meu marido.”
Carol é psicóloga por formação e mãe por opção e devoção. Quando conheceu Amilton, ele já era vereador. Ela nunca se sentiu à vontade no universo da política, mas, por amor ao marido, tratou de ser elegante, respeitosa, generosa e atenta com todos que passavam pela casa dela por causa da vida pública dele.
Prefere a vida discreta, domingos com familiares por perto e compartilhar aspectos da vida só com quem tem simpatia.
Gosta de séries, lê muito, sabe dar conselhos. Odeia injustiça. Evangélica, não tolera intolerância com quem é diferente, e explica isso não por moral, mas por convicção cristã. Fala muito bem e fala muito pouco. Conversa com quem confia e se expressa mais pelo olhar e pela postura.
“Amiltinho” é como a família chama Amilton. É também como o populoso e tradicional Jardim Alexandrina chama Amilton Filho. É o bairro onde ele nasce, morou até pouco tempo e que mais votos lhe dá em Anápolis.
O apelido é tão forte que desta vez entrou no jingle. Amilton foi vereador antes dos 30, presidiu a Câmara de Anápolis, chegou à Alego em 2018 e foi reeleito com votação consagradora.
Carol sabe o tamanho disso. “O Amilton morreu fazendo o que ele gostava. O Amilton morreu buscando aquilo que ele achava que era certo.”






