Quando a cabine perde o controle, todos estão em risco
Governos passam, mandatos terminam. O Brasil permanece. Estamos todos a bordo. O avião é o Brasil

Há acontecimentos que, mesmo diferentes, parecem nos ensinar a mesma lição. Nesta última quarta-feira (30/9), um voo com muitos passageiros, teve uma violenta ocorrência de agressão na cabine. O comandante foi ferido e o avião perdeu rapidamente altitude. Mesmo ferido, o piloto conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que passageiros contivessem o agressor. Uma tripulação reserva que estava a bordo assumiu os controles e levou a aeronave a um pouso seguro na Arábia Saudita.
Em Anápolis, há uma semana, nossa cidade se despediu de Amilton Filho, amigo, deputado estadual e homem público, morto tragicamente em um acidente de trânsito.
São acontecimentos completamente diferentes, mas ambos nos lembram de algo essencial: quando muitas vidas dependem de decisões tomadas em momentos difíceis, responsabilidade não é uma palavra abstrata.
Considere o Brasil uma grande aeronave. Mais de 200 milhões de pessoas estão a bordo, com pensamentos e projetos diferentes, mas compartilhando o mesmo destino. Na eleição, não entregamos apenas votos; entregamos responsabilidades. E, para conduzir um país, precisamos de instituições fortes, respeito às leis, liberdade, segurança, saúde, educação, responsabilidade com o dinheiro público, planejamento e capacidade de diálogo.
Naquela aeronave, ninguém perguntou a quem pertenciam politicamente os passageiros antes de tentar salvá-los. É também isso que deveríamos esperar da vida pública: menos vaidade e mais responsabilidade com todos os que estão a bordo.
Governos passam, mandatos terminam. O Brasil permanece. Estamos todos a bordo. O avião é o Brasil. E todos temos interesse em que ele chegue ao destino. É isso.
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