Endividada e sem dinheiro até para a passagem, ela deixou Anápolis para tentar a vida na Irlanda, deu a volta por cima e hoje emprega quase 200 pessoas no Brasil
Trajetória de Keyla Barros passou pela faxina em um supermercado e por negócios que não deram certo antes de encontrar um novo caminho no setor automotivo

Uma dívida que ameaçou até o imóvel da família levou Keyla Barros, de 44 anos, a deixar Anápolis em 2003 e buscar uma saída financeira na Irlanda.
O plano inicial era trabalhar por cerca de um ano, quitar os compromissos e voltar ao Brasil para abrir uma academia, mas a experiência no exterior acabou mudando completamente o rumo da vida profissional dela.
Segundo relato feito ao Mais Goiás, Keyla sequer tinha dinheiro suficiente para comprar a passagem e contou com a ajuda da avó, que conseguiu uma escritura emprestada para servir como garantia.
“Minha vó teve que pedir uma escritura de alguém emprestada para poder dar de garantia na agência em que eu comprei a passagem”, contou.
A dificuldade havia começado após um negócio informal de venda de perfumes dar errado, deixando dívidas em nome da então jovem, que decidiu assumir os compromissos e trancar o curso de Educação Física que fazia na UniEvangélica.
“Na época, o sentimento era de revolta. Hoje, é um sentimento de gratidão por ter conseguido passar pelo processo”, afirmou.
Recomeço na Irlanda
Criada pelos avós desde os três meses de idade, Keyla começou a trabalhar aos 17 anos como vendedora de roupas e, quando chegou à Irlanda, passou a atuar como faxineira em um supermercado.
Com o tempo, recebeu promoções, fez cursos e chegou ao cargo de terceira gerente do estabelecimento. A experiência, que se estendeu por quase oito anos, também influenciou a forma como ela passou a enxergar organização, pontualidade, responsabilidade e processos dentro de uma empresa.
“Lá na Irlanda, aprendi a confiar mais em processos claros, pontualidade e responsabilidade individual”, disse ao Mais Goiás.
Ela afirma que essa forma de trabalhar continuou presente depois do retorno ao Brasil.
“São aprendizados que hoje procuro levar para os meus negócios”, completou.
Retorno a Anápolis e nova tentativa
De volta ao Brasil, a ideia de abrir uma academia já havia ficado para trás. Em Anápolis, a primeira tentativa foi no setor de alimentação, com a abertura de um restaurante.
O negócio, porém, acabou fechado depois que Keyla percebeu que estava centralizando praticamente toda a operação, desde as compras até a cozinha.
Pouco tempo depois, em 2011, ela decidiu investir em um lava-jato, movimento que acabaria abrindo as portas para o setor automotivo.
A mudança ganhou força quando surgiu a oportunidade de atender uma concessionária em Anápolis às vésperas do lançamento de um veículo.
A partir daí, começaram os contratos com grupos maiores e a empresária passou a ampliar a atuação.
Crescimento no setor automotivo
A primeira concessionária atendida foi a Hyundai de Anápolis. Depois, vieram novas oportunidades até que Keyla recebeu um convite para assumir uma operação da Toyota em Goiânia.
“Eu nunca tive dúvida que esse negócio daria certo, afinal nós resolvemos problemas das pessoas”, relatou.
Para ela, o convite para assumir uma operação maior foi um dos momentos que mais reforçaram a sensação de que estava no caminho certo.
“Ali eu tinha certeza do cuidado de Deus por mim”, afirmou.
Atualmente, a 4Kar está presente em 37 lojas em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Goianésia, Uberlândia e Brasília, com 187 colaboradores.
A operação realiza mais de 8 mil lavagens de veículos e cerca de 3 mil instalações de películas por mês, além de outros serviços.
Novo desafio no caminho
Mesmo com a empresa em expansão, Keyla enfrentou outro momento delicado em 2025, quando descobriu um câncer na tireoide.
Ela precisou passar por cirurgia e sessões de iodoterapia enquanto, ao mesmo tempo, acompanhava novas operações do negócio em Brasília.
Ao olhar para a própria trajetória, a empresária diz que passou a enxergar de outra forma a dívida que, no início dos anos 2000, parecia apenas um problema sem saída.
“Hoje, olhando toda a trajetória, a dívida era o primeiro degrau do processo que precisava passar para chegar onde estou hoje”, afirmou.
Depois de quase oito anos fora do país e de diferentes tentativas de empreender, Keyla acabou encontrando no setor automotivo o caminho que transformou um período de dificuldade em uma nova fase profissional.
“Nunca desista de lutar pelos seus sonhos”, resumiu.
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