Mulher constrói a própria casa usando barro e 12 para-brisas de carro: “Construir uma casa minúscula é o ato corajoso de simplificar para prosperar”
Depois de deixar a cidade para viver nas serras, Mariana transformou materiais reaproveitados em uma pequena casa feita de barro, paja e madeira

Construir a própria casa pode parecer um projeto distante para quem imagina grandes obras, muitos materiais e meses de trabalho. Para Mariana, porém, a ideia seguiu outro caminho: quanto menor e mais simples fosse a construção, mais próxima ela estaria do estilo de vida que desejava.
Aos 38 anos, a santafesina vive no vale de Traslasierra, em Córdoba, onde decidiu trocar o ritmo urbano por uma rotina mais próxima da natureza. A relação com a vida no campo começou há mais de uma década, durante uma experiência no Uruguai.
Cinco anos atrás, Mariana chegou à região das serras cordobesas. Depois de passar um período vivendo em um motorhome, percebeu que não precisava de uma casa grande. Queria apenas um espaço para comer, dormir, ter um banheiro e viver de maneira acolhedora.
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Foi então que começou a construir sua própria tiny house, uma casa pequena feita artesanalmente. O projeto levou cerca de um ano e meio e ganhou uma característica que chama atenção logo de início: parte das janelas não veio de uma loja de materiais de construção.
Mariana conseguiu 12 para-brisas de automóveis em um remate e decidiu reaproveitá-los como grandes janelas. As peças foram incorporadas a uma das paredes de barro e ajudam a levar iluminação natural para dentro da casa.
A estrutura também utiliza barro, paja e madeira. Vista de cima, a construção tem outro detalhe curioso: são dois hexágonos unidos que formam uma espécie de coração.
A escolha dos materiais acompanha a proposta de reaproveitamento que Mariana queria para o imóvel. Em vez de buscar uma construção convencional, ela adaptou aquilo que encontrou e transformou objetos descartados em parte da própria casa.
A obra também contou com ajuda comunitária por meio da chamada minga, uma forma de trabalho coletivo bastante conhecida em diferentes regiões rurais. Na prática, porém, nem sempre foi possível reunir todas as pessoas esperadas. Em uma das convocações, por exemplo, apenas duas pessoas apareceram.
Por isso, o processo exigiu paciência e mudanças de planos. Mariana também decidiu fazer pausas quando percebeu que o esforço físico e a organização da obra estavam começando a transformar o projeto em um sacrifício.
Hoje, ela vive na casa com o filho, em uma colina cercada pelo monte. Para ela, a construção representa mais do que uma experiência de bioconstrução: é uma forma de colocar em prática uma vida com menos excessos.
“Levantar uma tiny house é o ato valiente de simplificar para florecer”, afirmou Mariana ao definir o significado do projeto.
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