Disputa pelo Senado em Goiás tem cenário incerto e direita e esquerda já articulam voto útil
Segundo cientistas políticos, movimentações nos últimos dias de campanha podem alterar a composição das duas cadeiras

Apesar da aparente definição, a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal por Goiás nestas eleições de 2026 ainda pode trazer surpresas. O elevado número de eleitores indecisos e as articulações por um ‘voto útil’ mantêm em aberto a disputa pelas cadeiras.
Na última Paraná Pesquisas/Portal 6, divulgado em 11 de setembro, o percentual de indecisos na pesquisa espontânea atingia impressionantes 68,8%.
Já no cenário estimulado, quando a lista de concorrentes foi apresentada, a taxa de eleitores que declararam “não sabe/não opinou” ficou em 5,6%.
O forte contraste confirma que a memória do eleitorado ainda não está consolidada e que a disputa será decidida nos detalhes finais.
Em entrevista ao Portal 6, o cientista político Guilherme Carvalho ressalta que a eleição para o Senado é a única na qual uma grande surpresa ainda pode emergir.
Para ele, os principais nomes estão tecnicamente emparelhados e pequenas oscilações de última hora definirão os vitoriosos.
“São competidores razoavelmente no mesmo nível. A diferença da Gracinha (UB) é a estrutura que o Governo dá para ela. Ela tem o recall do marido e do trabalho que fez na OVG. Gayer (PL) vem logo atrás com um nicho muito expressivo. Mendanha (PRD) tem o recall da Prefeitura de Aparecida e, ao mesmo tempo, tem tentado avançar sobre outras bases”, comenta.
“Vanderlan (PSD), por outro lado, é o senador municipalista por essência. Tem esses palanques de prefeitos, o que conta demais na disputa. E o Zacharias Calil (MDB), que veio correndo por fora e ganhando simpatia, crescendo, e se tornou bastante competitivo. Ou seja, não tem ninguém fraco”, acrescenta o analista.

Guilherme Carvalho, cientista político. (Foto: Arquivo Pessoal)
Esquerda articula voto útil
A principal aposta de surpresa formulada por Guilherme recai sobre Vanderlan Cardoso, impulsionada pela articulação de voto útil vinda do PT.
Com as candidaturas do campo da esquerda sem viabilidade eleitoral, lideranças petistas já orientam apoio a Vanderlan pelo perfil municipalista e pragmático apresentado pelo senador.
“Eu acho que o Vanderlan tem essa surpresa. Ele tem uma base muito grande, mas ao mesmo tempo, tem esse pedido de voto útil do PT, que é muito expressivo de última hora”, comenta à reportagem.
O cientista político acrescenta: “Isso pode acabar contando como um diferencial que nenhum dos outros candidatos tem, porque está todo mundo correndo dentro do mesmo campo, do centro para a direita. Já Vanderlan é o único que consegue buscar voto lá [junto à esquerda goiana]”.
Rachaduras no campo conservador
Ao Portal 6, o cientista político Alaor Bruno também considera a disputa pelo Senado aberta e sujeita a reviravoltas imprevistas. Para o especialista, o cenário atual é muito mais instável do que o observado em meses anteriores.
“A surpresa, ela é inevitável. Nada está definido. O Senado está bem aberto, sendo que meses atrás era outra coisa, estava cristalizado”, avalia.
Segundo Alaor, a campanha de Gracinha Caiado sofreu desidratação devido à postura do governador Ronaldo Caiado no debate nacional. Os ataques contundentes de Caiado a Flávio Bolsonaro acabaram por alienar uma parcela do eleitorado conservador goiano.
“Essa postura do Caiado em relação à campanha nacional, com a estratégia que ele adotou de atacar o Flávio Bolsonaro, atrapalhou e afastou o eleitor de direita da Gracinha”, disse à reportagem.
Diante do cenário, pode ocorrer um movimento de migração de votos entre a direita, na qual uma dobradinha entre Gustavo Gayer e Gustavo Mendanha tende a ganhar força entre os eleitores que buscam o voto útil.
“Essa dobradinha, eu acredito que tende a se potencializar […] A pessoa que vota no 22, que é o conservador, poderia fazer o voto casado da legenda, mas ela também já pensa no voto útil. O Oséias Varão não tem condição de ganhar a eleição. Então, o eleitor pode ir no Mendanha, por exemplo”, considerou.
A segunda rodada da Paraná Pesquisas/Portal 6 ouviu 1.248 eleitores em 61 municípios de Goiás, entre os dias 8 e 10 de setembro, por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais.
A margem de erro é de aproximadamente 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número GO-03096/2026.
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