Aos 12 anos, estudante de origem indiana cria máquina que retira água do ar, aumenta a produção em 117% com ondas sonoras e chega à final nacional de ciência
Uma experiência escolar ganhou dimensão nacional após apresentar resultado inesperado durante testes controlados realizados pelo estudante

Aos 12 anos, Ankith Burki, aluno da sétima série em San Jose, na Califórnia, desenvolveu um gerador atmosférico capaz de recolher a umidade presente no ar.
O estudante da BASIS Independent Silicon Valley decidiu investigar se ondas sonoras poderiam melhorar o desempenho do equipamento durante a coleta de água.
O protótipo utiliza o chamado efeito Peltier, um processo termoelétrico capaz de transferir calor e resfriar uma superfície até favorecer a condensação da umidade presente no ar.
Como a máquina consegue tirar água do ar?
Depois de vários testes, Ankith conseguiu fazer o equipamento reduzir a temperatura ao redor em aproximadamente 7,5 graus Celsius.
Com isso, a superfície ficou abaixo do ponto de orvalho, condição em que parte do vapor presente no ar começa a se transformar em pequenas gotas de água.

Ankith Burki desenvolveu um gerador atmosférico e testou se sons de baixa frequência poderiam aumentar a quantidade de água coletada do ar (Imagem: Reprodução/Redes Sociais/Instagram)
Depois de conseguir fazer o gerador funcionar, o estudante partiu para uma segunda pergunta: seria possível aumentar a quantidade de água recolhida usando vibrações produzidas por sons de baixa frequência?
O som aumentou a quantidade de água coletada
Ankith realizou 15 testes com duração de quatro horas cada.
Cinco deles foram feitos sem som. Nos outros dez, o estudante utilizou sons de baixa frequência produzidos por um alto-falante próximo ao equipamento.
Os testes compararam duas formas de onda: senoidal e triangular.
| Teste | Quantidade | Condição |
|---|---|---|
| Sem som | 5 testes | Funcionamento normal do gerador |
| Com som | 10 testes | Ondas senoidais e triangulares de baixa frequência |
| Maior resultado | 117% a mais de água | Ondas senoidais de baixa frequência |
A hipótese era que as vibrações poderiam ajudar pequenas gotas de água a se juntarem, facilitando sua retirada da superfície.
O resultado mais expressivo apareceu com as ondas senoidais de baixa frequência.
Projeto colocou Ankith entre os finalistas nos Estados Unidos
O trabalho garantiu ao estudante uma vaga entre os 30 finalistas do Thermo Fisher Scientific Junior Innovators Challenge 2026.
A competição é voltada para estudantes do ensino fundamental e reúne projetos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Segundo a Society for Science, os 30 finalistas foram escolhidos depois de uma seleção que começou com 1.997 participantes na edição de 2026.
A etapa final será realizada em Washington, D.C., entre 23 e 28 de outubro.
12 anos e aluno da sétima série;
estuda na BASIS Independent Silicon Valley, em San Jose;
é cantor de música clássica carnática;
pretende seguir carreira como engenheiro ambiental.
Os 117% ainda não significam que a técnica funcionará em qualquer máquina
O resultado obtido por Ankith vale para as condições utilizadas nos testes realizados com o protótipo desenvolvido por ele.
Isso não significa que qualquer gerador atmosférico passará automaticamente a produzir 117% mais água apenas com a utilização de sons de baixa frequência.
Para saber se o efeito pode ser reproduzido em escala maior, seriam necessários novos testes com outros equipamentos, diferentes níveis de umidade, temperaturas e condições ambientais.
Mesmo assim, o projeto chama atenção por testar uma maneira relativamente simples de tentar melhorar a eficiência de equipamentos capazes de retirar água diretamente da umidade do ar.
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