Citação do dia de Sócrates sobre por que os humanos querem o que não têm no amor: “O amor é sempre pobre e nada belo, como muitos imaginam; é rude e descalço…”

Sócrates apresenta uma imagem inesperada de Eros: a de alguém que procura aquilo que deseja, mas nunca consegue guardar para sempre

Angelina de Paula Angelina de Paula -
Sócrates sobre a amizade: "Um amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, você precisa saber primeiro o seu valor"
(Foto: Reprodução/Pexels)

Uma figura sem sapatos, sem casa e sempre à procura de algo. Essa imagem parece distante das representações românticas do amor, mas é justamente assim que Sócrates, filósofo grego, apresenta Eros, deus do amor, em uma das passagens mais conhecidas de “O Banquete”, obra escrita por Platão, filósofo grego.

Em tradução livre e resumida, o trecho diz: “O amor é sempre pobre e está longe de ser delicado e belo, como muitos imaginam; é rude, maltrapilho e descalço.” A descrição chamou atenção em uma matéria publicada pelo The Economic Times.

Quem descreve Eros dessa forma?

A atribuição pede um cuidado: Sócrates pronuncia a passagem no diálogo de Platão, mas apresenta a explicação como um ensinamento de Diotima.

Ela descreve Eros como filho de Pênia, ligada à pobreza, e de Poros, associado aos recursos e à capacidade de encontrar caminhos.

Por causa dessa origem, Eros não possui tudo o que busca, mas tampouco permanece parado diante da falta. Ele deseja a beleza e o bem, procura maneiras de alcançá-los e volta a procurá-los quando aquilo que conquistou escapa.

Os pés descalços e a ausência de uma casa dão forma a essa inquietação.

Por que desejamos o que não temos?

Antes de relatar a conversa com Diotima, Sócrates propõe uma pergunta aos outros participantes do banquete: alguém pode desejar aquilo que já possui? O diálogo chega a uma resposta mais sutil do que um simples “não”.

Mesmo quem tem saúde, por exemplo, pode desejar continuar saudável no futuro. Nesse caso, a pessoa busca algo que ainda não tem garantido e pede a permanência do que considera bom.

Essa ideia ajuda a entender a frase sem transformá-la em uma regra sobre relacionamentos. O texto não afirma que as pessoas só amam quem não podem ter.

Ele apresenta o desejo como um movimento em direção ao que falta ou ao que alguém teme perder. No diálogo, amor também não se limita à atração por outra pessoa: a discussão alcança a busca pela beleza, pelo bem e pela felicidade.

Por isso, a figura de Eros descalço não reduz o amor a sofrimento. Ela lembra que desejar envolve sair de uma posição de certeza e procurar algo além do que já está ao alcance.

A frase ganha outro sentido quando o leitor percebe que, em “O Banquete”, quem ama também pode desejar conservar aquilo que já encontrou.

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Angelina de Paula

Angelina de Paula

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.

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