Flávio diz querer mudar Constituição para reformar lei penal e Judiciário e deixa em aberto ampliar mandato

Presidenciável do PL afirmou que o país não vive uma democracia plena e que "o Brasil tem que voltar ao normal, apenas isso"

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Flávio Bolsonaro é filiado a partido Missão, e registro de candidatura no TSE atrasa
(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

CAROLINA LINHARES, RAQUEL LOPES E RAPHAEL DI CUNTO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil não vive uma democracia plena e que, quando falou em redemocratizar o país e mudar a Constituição caso eleito, estava falando sobre aprovar PECs (propostas de emenda à Constituição).

Ele disse que falava de propostas que tem defendido ao longo da campanha, como redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, mudanças na reforma tributária e fim da reeleição para presidente.

“Tem várias PECs que são possíveis”, respondeu nesta quarta-feira (7) ao ser questionado pela imprensa sobre a declaração dada na véspera.

Nesta terça (6), em Goiânia, Flávio falou em usar a vantagem da direita no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar o país”.

Ao falar sobre a proposta de fim de reeleição, Flávio manteve uma brecha para aumento do mandato.

“É o Congresso que vai definir os critérios, se vai ser mandato de 4 ou 5 anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador”, afirmou. “Eu vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC [do fim da reeleição] para redemocratizar o nosso país.”

O presidenciável do PL afirmou que o país não vive uma democracia plena e que “o Brasil tem que voltar ao normal, apenas isso”.

Flávio negou ainda que a fala sobre mudar a Constituição tenha a ver com seguir planos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.

“Qualquer coisa diferente disso é especulação. Eu já vi gente começar a dizer: ‘ah, agora o Flávio, com esse Congresso com ampla maioria, ele vai fazer o que o pai dele não fez’. Vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real. Para de fazer torcida”, disse.

Flávio afirmou ainda que o Congresso está configurado para ele e não para Lula (PT) —o PL obteve a maior bancada na Câmara e no Senado.

O partido obteve 121 de 513 deputados e 28 de 81 senadores.

“O Congresso […] está configurado para um presidente como Flávio Bolsonaro e não tem como encaixar uma peça diferente dessa. Se esse atual presidente continuasse, ele simplesmente seria incompatível com este Congresso. Pior ainda, é incompatível com os critérios para indicação de ministro Supremo”, afirmou.

Flávio afirmou ainda que vai ter “ponderação, segurança jurídica, respeito à Constituição e respeito à política”.

“Não vai ter presidente da República passando a mão no telefone ameaçando o dono de veículo de comunicação. Não vai ter presidente da República combinando com um amigo no Supremo para fazer busca e apreensão na fonte de vocês, jornalistas”, completou.

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