A cidade de Goiás que nasceu por causa do ouro, teve um dos primeiros jornais do estado e conserva ruas do período colonial
Fachadas antigas e caminhos de pedra guardam parte de uma história que começou nas minas e ganhou importância muito além da região

Casarões com janelas de madeira, ruas revestidas de pedras e igrejas centenárias fazem parte de uma paisagem que atravessou gerações no interior de Goiás. Entretanto, por trás desse cenário, existe uma história que envolve a exploração mineral, transformações econômicas e até o nascimento da imprensa regional.
O destino conserva características de quase três séculos atrás, quando a busca por riquezas levou exploradores a ocupar diferentes áreas do território goiano.
Trata-se de Pirenópolis, município que surgiu em 1727, inicialmente conhecido como Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte.
Uma cidade que nasceu da exploração do ouro
Segundo a Prefeitura de Pirenópolis, a formação do povoado começou com a chegada de garimpeiros liderados por Manoel Rodrigues Tomás, interessados em descobrir jazidas de ouro.
A mineração impulsionou o crescimento do arraial, sustentado também pelo trabalho de pessoas negras escravizadas e indígenas.
Com o declínio da atividade aurífera, na segunda metade do século XVIII, a economia passou a depender mais da agricultura, da pecuária e do comércio.
O município que ajudou a criar a imprensa goiana
Um dos episódios mais importantes ocorreu em 5 de março de 1830, quando começou a circular o jornal Matutina Meiapontense, considerado o primeiro periódico de Goiás e do Centro-Oeste.

Exemplar do jornal Matutina Meiapontense. (Imagem: Reprodução)
Financiado pelo comerciante Joaquim Alves de Oliveira, o jornal publicou 526 edições até maio de 1834.
Além de notícias, suas páginas divulgaram atos oficiais das províncias de Goiás e Mato Grosso.
Atualmente, o Museu da Família Pompeu ocupa o imóvel onde funcionou a tipografia. A visitação exige agendamento prévio e ocorre em grupos.
Ruas preservadas contam parte da história
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu oficialmente o conjunto histórico de Pirenópolis em 10 de janeiro de 1990.
Entre os destaques está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, protegida individualmente desde 1941.
Além das construções, tradições como a Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas mantêm viva parte da identidade cultural do município.
O nome Pirenópolis foi adotado em 1890, em referência à Serra dos Pireneus, que marca a paisagem da região.

Casas tradicionais de Pirenópolis. (Foto: Reprodução)
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