A cidade de Goiás que tem praias de água doce, areia às margens do Araguaia e atrai turistas mesmo longe do litoral

A cerca de 314 km de Goiânia, Aruanã ganha praias de areia na seca e reúne passeios de barco, pesca e cultura indígena às margens do Araguaia

Angelina de Paula Angelina de Paula -
A cidade de Goiás que tem praias de água doce, areia às margens do Araguaia e atrai turistas mesmo longe do litoral
Aruanã vista de cima. (Foto: Reprodução/Pousada da Aldeia)

A mais de 300 km de Goiânia, uma pequena cidade do interior goiano muda de cenário conforme o nível do Rio Araguaia.

Quando as águas baixam durante a estiagem, extensos bancos de areia aparecem e transformam Aruanã em um dos destinos de “praia” mais conhecidos de Goiás, embora o mar esteja a centenas de quilômetros dali.

Aruanã fica justamente no encontro dos rios Vermelho e Araguaia e funciona como uma das principais portas de entrada para o turismo na região.

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(Foto: Reprodução)

Um estudo da Goiás Turismo aponta aproximadamente 80 km de praias no município, além de estrutura com hotéis, pousadas, restaurantes, comércio e serviços.

Praias que aparecem quando o rio baixa

O fenômeno que movimenta a temporada ocorre principalmente no período seco.

Com a redução do nível do Araguaia, a areia antes coberta pela água forma praias e ilhas temporárias, cenário que favorece acampamentos, passeios de barco, canoagem e pesca esportiva.

Julho costuma concentrar grande parte desse movimento.

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(Foto: Reprodução/Turismo Natureza)

No entanto, as condições das praias dependem do comportamento do rio, já que chuvas ou alterações no nível da água podem cobrir novamente os bancos de areia.

Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que Aruanã tenha 8.623 habitantes.

Durante a temporada turística, porém, o movimento nas margens do rio altera completamente a rotina do município.

Uma história que começou antes de Aruanã existir

A história local, entretanto, não começa com o turismo.

Muito antes da formação do núcleo urbano, o povo Iny, conhecido também como Karajá, já ocupava as margens do Araguaia e mantinha ali seu modo de vida, língua e tradições.

A própria Prefeitura destaca que essa presença indígena antecede o surgimento da cidade.

Em 1849, o governo imperial criou o Presídio Leopoldina próximo a uma aldeia Karajá e a um porto.

(Foto: Reprodução/Prefeitura de Aruanã)

Naquele período, “presídio” designava também postos militares e núcleos destinados a ocupar áreas estratégicas, e não apenas estabelecimentos prisionais no sentido atual.

Registros locais relatam conflitos entre o posto e os Karajá, além da destruição e posterior reconstrução da estrutura. Ao redor dela, desenvolveu-se um povoado que, em 1875, tornou-se distrito de Santa Leopoldina.

O isolamento era tamanho que uma viagem até Vila Boa, atual Cidade de Goiás, podia levar até cinco dias a pé ou sobre mulas.

A Prefeitura registra ainda que moradores improvisavam linhas de pesca com fios de rabo de cavalo e anzóis feitos de alfinetes.

De Leopoldina a Aruanã

Em 1943, o antigo distrito de Leopoldina passou oficialmente a se chamar Aruanã.

Já a emancipação municipal veio em 18 de dezembro de 1958, quando o território se separou do município de Goiás.

O nome carrega duas referências associadas à região: aruanã é o nome de um peixe e também aparece ligado a uma manifestação tradicional do povo Karajá, segundo o histórico municipal.

Outra lembrança do século XIX permanece no centro da cidade. Fragmentos de uma antiga caldeira ligada às iniciativas de navegação de Couto Magalhães estão expostos na praça principal.

Na época, ele investiu no transporte a vapor pelo Araguaia com o objetivo de estabelecer uma rota fluvial até Belém.

Cultura Karajá continua presente

A presença Iny/Karajá segue como uma das características mais importantes de Aruanã.

As aldeias Buridina e Bdé-Buré aparecem em registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), especialmente pela produção das ritxòkò, bonecas de cerâmica que representam aspectos da vida, da cosmologia e da identidade Karajá.

(Foto: Reprodução/Rosani Moreira)

O ofício e os modos de fazer essas peças receberam reconhecimento como patrimônio cultural brasileiro.

Além de objetos artísticos, elas participam da educação das crianças, preservam conhecimentos tradicionais e também constituem fonte de renda para artesãs.

Quem quiser ver Aruanã para além das fotografias pode acompanhar o episódio do programa Belezas de Goiás, da TV Assembleia Legislativa, que percorre praias, rios, acampamentos, pesca e a cultura Karajá.

Assim, as praias de água doce explicam apenas parte da atração exercida por Aruanã.

A cidade que hoje recebe visitantes em busca de areia, pesca e passeios de barco também preserva marcas da navegação do século XIX e, principalmente, uma história indígena muito anterior ao próprio município.

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Angelina de Paula

Angelina de Paula

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.

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