Aos 27 anos, empreendedor usa impressora 3D para erguer uma casa de 120 m² em apenas 48 horas, e a conta sai bem menor do que a construção comum

Tecnologia que utiliza impressão 3D promete reduzir o tempo de construção, economizar materiais e tornar o sonho da casa própria mais acessível

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
impressão 3D
Novo método de construção utiliza equipamentos automatizados para erguer paredes e reduzir etapas que costumam levar semanas em obras tradicionais (Imagem Ilustração)

Construir uma casa de 120 metros quadrados em dois dias corridos não é mais ficção científica. Um empreendedor argentino de 27 anos, chamado Mateo Salvatto, está usando impressão 3D com concreto para fazer exatamente isso, e o custo final fica abaixo do que a construção tradicional costuma cobrar pelo mesmo espaço.

A tecnologia em si não é nova. Impressoras 3D de grande porte que trabalham com misturas de cimento e areia já existem há pelo menos uma década no mundo. O que Salvatto fez foi estruturar um modelo de negócio viável em torno disso, tornando o processo acessível a quem quer construir sem esperar meses de obra.

Como a impressora 3D constrói uma casa

O equipamento funciona como uma impressora comum, mas em escala industrial e ao ar livre. Um braço mecânico guiado por computador deposita camadas de concreto especial, uma sobre a outra, seguindo um projeto digital previamente elaborado. O resultado são paredes sólidas, com acabamento já integrado, erguidas sem a necessidade de formas de madeira, sem grande equipe de pedreiros e com geração mínima de entulho.

O processo inteiro para uma casa de 120 m² leva cerca de 48 horas de impressão contínua. Depois disso, ainda são necessários alguns dias para instalação elétrica, hidráulica e acabamentos internos, mas o esqueleto da construção está pronto.

Novo método de construção utiliza equipamentos automatizados para erguer paredes e reduzir etapas que costumam levar semanas em obras tradicionais

O que sai mais barato e por quê

A economia vem de três frentes principais. A primeira é a mão de obra: uma operação dessas exige poucos trabalhadores especializados, enquanto uma obra convencional do mesmo tamanho mobiliza equipes grandes por meses. A segunda é o desperdício: a impressora deposita exatamente o material necessário, sem sobra. A terceira é o tempo, que em construção sempre se converte em custo.

Salvatto afirma que o valor final por metro quadrado fica consideravelmente abaixo da média do mercado convencional, embora os números variem conforme o projeto, o terreno e os acabamentos escolhidos. Não existe um preço único, mas a lógica da economia é verificável e já foi demonstrada em outros países onde a tecnologia está mais avançada, como nos Estados Unidos e nos Países Baixos.

Quais são os limites reais dessa tecnologia

A impressão 3D de casas tem vantagens claras, mas também restrições que precisam ser entendidas antes de qualquer entusiasmo exagerado.

  • Os projetos precisam ser adaptados para o sistema, o que limita algumas escolhas arquitetônicas mais complexas
  • A tecnologia ainda é pouco regulamentada em muitos países da América Latina, o que pode gerar entraves na aprovação de plantas e alvarás
  • O investimento no equipamento é alto, o que concentra o serviço em poucas empresas por enquanto
  • Instalações complementares como elétrica, hidráulica e cobertura seguem dependendo de mão de obra convencional

Além disso, o concreto impresso precisa atender normas de resistência estrutural. Países com legislação mais avançada já têm critérios técnicos definidos para isso, mas em mercados como o brasileiro, a regulamentação ainda está em desenvolvimento.

impressora 3D

Novo método de construção utiliza equipamentos automatizados para erguer paredes e reduzir etapas que costumam levar semanas em obras tradicionais

Por que isso importa agora

O Brasil tem um déficit habitacional que ultrapassa oito milhões de moradias, segundo dados do Ministério das Cidades. Tecnologias que reduzem prazo e custo de construção entram diretamente nessa equação. A impressão 3D não resolve o problema sozinha, mas representa um caminho real para diminuir o tempo e o dinheiro necessários para erguer uma habitação digna.

Iniciativas como a de Salvatto mostram que o setor da construção civil, historicamente lento para adotar inovação, começa a ser pressionado por soluções que não dependem mais de esperar a tecnologia amadurecer. Ela já está funcionando. O próximo passo é a regulamentação e a escala.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.

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