Segundo a psicologia, pessoas que esquecem de dar bom dia, boa tarde e boa noite, apresentam essas características

Esquecer cumprimentos parece um detalhe insignificante, mas esses pequenos gestos desempenham uma função importante nas relações sociais

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
Ônibus
(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Uma pessoa entra no elevador, encontra um colega conhecido e segue em silêncio. Outra chega ao trabalho e começa suas tarefas sem dizer “bom dia”. Para alguns, isso é apenas distração; para outros, soa como frieza ou falta de educação.

Mas será que esquecer frequentemente expressões como “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” realmente diz alguma coisa sobre a personalidade? A resposta da psicologia é mais interessante do que simplesmente classificar alguém como simpático ou antipático.

A característica que pode estar por trás desse comportamento

Cumprimentos são pequenos rituais de reconhecimento social. Estudos mostram que saudações envolvem coordenação de olhar, fala, aproximação e outros sinais usados para iniciar uma interação.

Por isso, quem costuma esquecê-las pode apresentar menor atenção aos pequenos sinais de conexão social.

Isso pode surgir por diferentes motivos: distração, preocupação com outras tarefas, comportamento mais reservado ou simplesmente porque a pessoa atribui menos importância a convenções sociais.

Também existem diferenças individuais na maneira como as pessoas vivenciam interações. Pesquisas sobre os cinco grandes traços de personalidade encontraram relações entre características como amabilidade e conscienciosidade e respostas mais positivas às interações cotidianas. Isso, porém, não significa que esquecer um “bom dia” prove baixa amabilidade.

John Gottman explica por que um simples cumprimento importa

O conhecido psicólogo e pesquisador de relacionamentos John Gottman oferece uma forma interessante de entender esses pequenos gestos.

Em seus estudos, tentativas simples de chamar a atenção e estabelecer contato são descritas como “bids for connection”, ou tentativas de conexão. Um cumprimento como “olá, como você está?” pode funcionar justamente dessa maneira. Responder aproxima; ignorar repetidamente pode favorecer distanciamento.

Gottman também valoriza rituais cotidianos de conexão, como dizer “bom dia” e “boa noite”, especialmente em relações próximas.

Portanto, esquecer ocasionalmente um cumprimento provavelmente significa pouco. O que chama mais atenção é quando deixar de reconhecer o outro vira um padrão permanente.

Pode ser distração, e não arrogância

Existe ainda um erro comum: interpretar imediatamente silêncio como desprezo.

Uma pessoa pode estar mentalmente sobrecarregada, concentrada, tímida ou pouco habituada a cumprimentos. O comportamento isolado não permite determinar intenção nem personalidade.

Alguém que não diz “bom dia”, mas demonstra consideração, escuta e gentileza de outras maneiras dificilmente pode ser definido apenas por esse hábito.

Um “bom dia” também significa “eu percebi você”

Filosoficamente, existe algo maior nesses poucos segundos.

Teorias do reconhecimento discutem como parte das relações humanas depende de perceber o outro como alguém digno de consideração. Pequenos gestos cotidianos podem materializar esse reconhecimento.

Talvez seja esse o verdadeiro significado de um cumprimento.

Dizer “bom dia” não transforma necessariamente o dia de ninguém. Mas comunica algo muito básico: “eu percebi que você está aqui”.

E, em uma rotina na qual tantas pessoas passam umas pelas outras sem realmente se enxergar, talvez isso não seja tão pequeno quanto parece.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.

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