Cidade goiana guarda esqueleto humano de mais de 11 mil anos e pinturas que revelam como viviam nossos antepassados
Grutas e paredões de um município goiano preservam vestígios de antigas populações e revelam parte da história da ocupação humana no Cerrado

Uma cidade de Goiás reúne vestígios de ocupação humana que remontam a milhares de anos, incluindo um esqueleto humano de mais de 11 mil anos e pinturas rupestres preservadas em grutas e paredões rochosos.
As descobertas ajudam os pesquisadores a compreender como viviam os primeiros grupos que ocuparam a região, muito antes da formação das cidades e das transformações provocadas pela agricultura moderna.
Além dos restos humanos, o território guarda ferramentas de pedra, registros artísticos e outros materiais que revelam aspectos da vida cotidiana dessas populações.

Trabalho de conservação busca proteger os registros rupestres encontrados em Serranópolis. (Foto: Acervo Iphan-GO)
O município é Serranópolis, localizado no Sudoeste de Goiás e reconhecido pela importância de seu patrimônio arqueológico.
Segundo a Prefeitura, um dos achados mais conhecidos é o esqueleto chamado de Zé Gabiroba, também identificado como Homem da Serra do Cafezal, encontrado na Gruta do Diogo.
A administração municipal atribui ao vestígio uma antiguidade superior a 11.500 anos. Estudos acadêmicos apresentam estimativas próximas, mas não inteiramente coincidentes, para sua datação.
O que as pinturas rupestres de Serranópolis revelam?
O município reúne um dos mais importantes conjuntos arqueológicos do Brasil, com abrigos naturais que serviram de moradia ou passagem para diferentes populações pré-históricas.
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pesquisadores identificaram mais de 30 sítios arqueológicos na região.
Entre os abrigos estudados, foram registradas mais de 1.100 figuras pintadas e 4 mil gravuras rupestres, distribuídas em 14 locais.
Essas manifestações incluem desenhos geométricos e representações que ajudam a investigar a cultura e as formas de expressão dos antigos habitantes do Cerrado.
Além disso, as escavações continuam revelando novos vestígios. Em 2023, o Iphan divulgou a descoberta de outro esqueleto humano, cuja idade pode chegar a 12 mil anos.
Na mesma área de pesquisa, arqueólogos também identificaram um conjunto de dez crânios humanos, ampliando o conhecimento sobre as práticas funerárias e a ocupação da região.

Abrigos rochosos de Serranópolis reúnem vestígios da ocupação humana na região. (Foto: Reprodução/UniRV)
Atualmente, Serranópolis também atrai visitantes interessados em turismo arqueológico, trilhas, grutas e paisagens naturais.
A importância desses locais, entretanto, vai além do turismo. Afinal, cada pintura, ferramenta ou fragmento encontrado ajuda a reconstruir uma parte da história das populações que viveram no atual território brasileiro.
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