Casarão de fazenda em Goiás atravessa séculos com vigas gigantes e estrutura montada quase sem metal

Construção histórica impressiona pelas dimensões das madeiras e por uma técnica antiga que ajudou a preservar sua estrutura durante gerações

Lara Duarte Lara Duarte -
casarão de fazenda em Goiás
Casarão da Fazenda Babilônia, em Pirenópolis, preserva uma estrutura de madeira com mais de dois séculos de história. (Foto: Reprodução/Fazenda Babilônia)

Um casarão de fazenda em Goiás atravessou mais de dois séculos sustentado por vigas gigantes e uma estrutura montada quase sem metal.

A construção impressiona pela técnica utilizada pelos trabalhadores da época, que recorreram a encaixes precisos de madeira para manter a edificação de pé.

Algumas das peças chegam a medir aproximadamente dois palmos de largura e atravessam espaços de até 15 metros sem apoios intermediários.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Além disso, o telhado utiliza caibros arredondados com cerca de 20 centímetros de diâmetro, posicionados próximos uns dos outros para sustentar as telhas de barro.

O imóvel faz parte da Fazenda Babilônia, localizada na zona rural de Pirenópolis, município conhecido pelo patrimônio histórico e pela arquitetura colonial.

Antigamente chamada de Engenho de São Joaquim, a propriedade foi um importante centro de produção agrícola e reúne construções associadas ao período colonial brasileiro.

Segundo o histórico disponibilizado pela própria fazenda, a origem do conjunto remonta ao final do século XVIII. Já registros patrimoniais situam a construção do casarão nos primeiros anos do século XIX.

Como o casarão foi construído com tão pouco metal?

A estrutura utiliza grossos esteios de madeira, paredes de adobe e pau a pique, além de um sistema de encaixes que permite unir diferentes partes da construção.

Em vez de depender principalmente de pregos e parafusos, os trabalhadores empregaram cavilhas de madeira, pequenas peças utilizadas para fixar as vigas.

casarão de fazenda em Goiás

Vigas e encaixes de madeira sustentam a construção histórica, que utiliza poucas peças de metal. (Foto: Reprodução/Fazenda Babilônia)

A técnica era especialmente importante porque o metal tinha custo elevado e chegava com dificuldade ao interior de Goiás.

Por isso, até algumas dobradiças das portas foram confeccionadas em madeira. Os pregos existentes, principalmente nos assoalhos, eram produzidos manualmente em forjas.

A construção também preserva uma ampla varanda e uma capela histórica, além de antigos muros de pedra.

casarão de fazenda em Goiás

Capela da Fazenda Babilônia integra o conjunto arquitetônico protegido pelo Iphan desde 1965. (Foto: Reprodução/Fazenda Babilônia)

Entretanto, a história da Fazenda Babilônia também está diretamente ligada ao trabalho de pessoas escravizadas, responsáveis por parte das construções e das atividades produtivas do antigo engenho.

A propriedade pertenceu ao comendador Joaquim Alves de Oliveira, que desenvolveu atividades agrícolas em uma época de transformação da economia goiana, anteriormente concentrada na mineração.

A importância do conjunto levou ao tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 26 de abril de 1965. Posteriormente, a fazenda também recebeu proteção patrimonial estadual, em 1980.

Atualmente, o casarão integra um roteiro de turismo histórico em Pirenópolis. Os visitantes podem conhecer aspectos da arquitetura antiga, objetos preservados e tradições gastronômicas da região, incluindo o Café Sertanejo oferecido pela propriedade.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.