P&G não demitiu jovem de Anápolis ameaçada de deportação da Polônia após foto com símbolo do PT
Além de Anna Clara Oliveira Queiroz, a brasileira Morgana Bettega não teria perdido o emprego após a repercussão da imagem registrada em Varsóvia

A jovem Anna Clara Oliveira Queiroz, natural de Anápolis, teria sido demitida pela multinacional Procter & Gamble (P&G), na Polônia, após a repercussão de uma fotografia com símbolo do Partido dos Trabalhadores (PT). A informação foi divulgada pelo canal de Sérgio Tavares, que atribuiu a confirmação ao eurodeputado polonês Dominik Tarczyński.
Segundo o relato, a brasileira Morgana Bettega, que também aparece na imagem, teria sido desligada da empresa.
Tarczyński é o mesmo parlamentar que expôs as duas nas redes sociais e passou a defender a deportação delas. Representante da Polônia no Parlamento Europeu, ele pertence ao partido Lei e Justiça e integra o grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus.
O político também mantém proximidade com a família Bolsonaro. Em setembro, publicou uma fotografia com Eduardo Bolsonaro em Miami, chamou o ex-deputado de “meu querido amigo” e pediu votos para Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil.
Procurada pelo Portal 6 por duas vezes, a P&G ainda não se pronunciou sobre os desligamentos. A reportagem também tentou ouvir Anna Clara, mas não conseguiu contato. Até o momento, a informação sobre as demissões permanece atribuída ao parlamentar, sem confirmação da multinacional.
Foto virou alvo de publicações
A fotografia foi registrada em frente ao local de votação brasileiro em Varsóvia, durante o primeiro turno das eleições de 2026. Anna Clara e Morgana aparecem fazendo o gesto de “L”, enquanto uma delas utiliza um broche com uma estrela vermelha e a sigla do PT.
O episódio ganhou repercussão após Tarczyński compartilhar o registro no X, antigo Twitter, e pedir informações sobre as mulheres.
“Se alguém tiver informações sobre essas senhoras, por favor, entre em contato por mensagem privada. URGENTE”, escreveu.
Depois, o eurodeputado passou a falar em deportação, associando a imagem à promoção do comunismo. Em uma das publicações, afirmou que ajudaria pessoalmente uma das brasileiras a arrumar as malas antes de uma eventual expulsão do país.
O pedido do parlamentar, por si só, não determina a deportação das brasileiras. Não há confirmação pública de abertura de procedimento migratório contra elas.
Itamaraty acompanha o caso
Ao Portal 6, o Ministério das Relações Exteriores informou que as próprias brasileiras notificaram a Embaixada do Brasil em Varsóvia sobre a situação.
O setor consular se colocou à disposição das duas para prestar assistência, caso solicitado. Segundo a pasta, esse atendimento ocorre a partir do contato do cidadão interessado ou, dependendo da situação, de seus familiares.
Nota do Itamaraty na íntegra
“O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil em Varsóvia, foi notificado da situação pelas cidadãs brasileiras.
O setor consular da Embaixada colocou-se à disposição para prestar assistência consular às nacionais, caso solicitado.
O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família.
A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seguinte seção do Portal Consular do Itamaraty: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/assistencia-consular.”
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