Cidade de Goiás reúne mais de 5 mil pinturas e gravuras feitas por povos antigos

Paredões e abrigos do Cerrado funcionam como um arquivo aberto de milhares de anos e guardam figuras humanas, animais e símbolos ainda estudados pela ciência

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
pinturas rupestres Serranópolis
(Foto: Reprodução/Weimer Carvalho)

Nas rochas de Serranópolis, no Sudoeste de Goiás, existem milhares de marcas produzidas muito antes da formação das cidades atuais.

São pinturas e gravuras rupestres deixadas por grupos humanos que ocuparam o Cerrado ao longo de diferentes períodos.

O conjunto impressiona pelo volume.

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O banco de pautas reúne referência a mais de 1,1 mil figuras pintadas e cerca de 4 mil gravuras, espalhadas por abrigos rochosos da região.

Isso significa mais de 5 mil registros visuais preservados na paisagem.

Não são desenhos aleatórios

As figuras variam bastante.

Algumas representam animais.

Outras lembram formas humanas.

Há ainda símbolos geométricos e marcas cuja interpretação permanece incerta.

O cuidado é importante porque não é possível afirmar automaticamente o significado de cada desenho.

Uma figura que parece simples para o observador moderno pode ter cumprido função religiosa, social, territorial ou completamente diferente.

Por isso, arqueólogos analisam os registros junto com outros materiais encontrados nos sítios.

Abrigos guardam mais do que imagens

As pinturas são apenas uma parte do patrimônio.

Serranópolis também preserva ferramentas de pedra, restos de alimentação, áreas de enterramento e outros vestígios.

Esses materiais ajudam a entender como populações antigas se deslocavam, caçavam, coletavam alimentos e ocupavam o ambiente.

Cada camada arqueológica funciona como uma espécie de página.

Quanto mais preservada, maior a quantidade de informação disponível.

Alguns registros têm milhares de anos

O complexo arqueológico de Serranópolis é conhecido justamente pela longa sequência de ocupação humana.

Os abrigos mostram que diferentes grupos passaram pela região em épocas distintas.

Isso significa que nem todas as pinturas foram feitas ao mesmo tempo.

Algumas podem pertencer a períodos e tradições completamente diferentes.

A região também ficou conhecida por vestígios humanos muito antigos, que ajudam pesquisadores a reconstruir a ocupação do Cerrado.

O maior risco pode vir do presente

Produzir uma pintura rupestre levou minutos ou horas.

Preservá-la por milhares de anos dependeu de condições muito específicas.

Hoje, uma intervenção inadequada pode destruir em pouco tempo aquilo que sobreviveu durante milênios.

Toques.

Riscos.

Fogueiras.

Umidade alterada.

Vandalismo.

Tudo isso pode causar danos irreversíveis.

Por isso, os sítios precisam de acompanhamento e visitação controlada.

A grande riqueza de Serranópolis não está apenas na quantidade.

Está no fato de aquelas pedras continuarem funcionando como um arquivo deixado por pessoas que viveram no Cerrado muito antes de Goiás existir como estado.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.