Aranhas ajudam a produzir especiaria que pode custar até R$ 6 mil o quilo em fazenda no Cerrado brasileiro
Em viveiro de Mato Grosso do Sul, aranhas controlam insetos que atacam a baunilha, cuja produção exige polinização manual e meses de espera

Em um sítio de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul (MS), um aliado pouco convencional ajuda a proteger uma das especiarias mais valorizadas do mundo.
Aranhas que vivem entre as plantas de baunilha controlam naturalmente insetos prejudiciais ao cultivo, enquanto as favas curadas podem alcançar até R$ 6 mil o quilo.
A produção pertence a Miska Thomé, artista plástica, musicista e produtora rural que transformou uma muda recebida de uma amiga em um viveiro com cerca de 70 plantas.
Ela implantou a estrutura em 2024 em uma propriedade da família e comercializa as favas pela marca Vanilla Thomé.
As aranhas, porém, não fazem a polinização.
Segundo a engenheira-agrônoma Letícia Carolina Oliveira, que acompanha o cultivo, elas atuam como inimigas naturais de percevejos, mariposas e lagartas, reduzindo a pressão de pragas.
Até agora, o viveiro não precisou recorrer a defensivos químicos, conforme relato da profissional.
A etapa que dá origem às favas continua manual.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) explica que cultivos comerciais de baunilha precisam de polinização artificial para garantir maior produção.
Com isso, cada flor permanece receptiva por um período curto e deve receber atenção diariamente durante a floração.
Depois da fecundação, as favas levam aproximadamente nove meses para amadurecer.
Em seguida, passam pela cura, responsável por desenvolver aroma, cor e características comerciais da especiaria.
O alto valor não é exclusividade do cultivo sul-mato-grossense.
O pesquisador da Embrapa Roberto Fontes Vieira já apontou que a baunilha curada produzida no Cerrado pode chegar a R$ 6 mil por quilo, embora a atividade ainda ocorra em pequena escala no Brasil.
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