Casal encomenda móveis planejados para aproveitar uma cozinha pequena e descobre na instalação que a geladeira não consegue abrir completamente
O problema aparece só depois da montagem e mostra por que alguns centímetros esquecidos no projeto podem comprometer toda a circulação do ambiente

Móveis planejados costumam ser escolhidos justamente para aproveitar cada centímetro de uma cozinha pequena. O problema é que, quando o projeto considera apenas a largura do eletrodoméstico e esquece o espaço necessário para a abertura das portas, o resultado pode ser o oposto.
Há consumidores que relatam descobrir esse erro apenas depois da instalação dos armários: a geladeira cabe no nicho, mas não consegue abrir completamente.
Isso acontece porque a medida externa do eletrodoméstico não representa todo o espaço necessário para utilizá-lo.
Além da largura e da profundidade, é preciso prever folgas laterais, ventilação e, principalmente, o movimento feito pelas portas e puxadores.
Caber no espaço não significa funcionar
Uma geladeira pode entrar perfeitamente no vão planejado e ainda assim ficar mal posicionada.
Dependendo do modelo, a porta precisa ultrapassar a linha lateral do aparelho para abrir em ângulo suficiente. Se houver uma parede, torre de armário ou bancada muito próxima, esse movimento pode ser interrompido.
O problema fica ainda mais perceptível em modelos maiores, com duas portas ou gavetas internas que só conseguem ser totalmente retiradas quando a porta abre além de 90 graus.
Por isso, fabricantes orientam que o consumidor respeite as folgas indicadas no manual de cada modelo. Essas medidas variam e não devem ser substituídas por uma regra única.
O cuidado é semelhante ao necessário em outros projetos de móveis planejados, nos quais medir apenas o espaço disponível pode não ser suficiente para garantir o uso confortável do ambiente.
Eletrodoméstico deveria ser definido antes
Uma das formas mais seguras de evitar o problema é escolher ou ao menos definir o modelo da geladeira antes de fechar o projeto de marcenaria.
Com a ficha técnica em mãos, o marceneiro ou projetista consegue trabalhar com as dimensões reais do equipamento e com as folgas recomendadas pelo fabricante.
Também é importante considerar a profundidade.
Quando a geladeira fica muito recuada entre armários altos, a própria lateral do móvel pode bloquear o giro da porta. Em outros casos, o aparelho precisa avançar alguns centímetros em relação à marcenaria para funcionar corretamente.
A posição da geladeira ainda deve permitir que gavetas internas e prateleiras sejam retiradas para limpeza.
Esse tipo de detalhe mostra por que cozinhas pequenas exigem planejamento de circulação e não apenas tentativa de encaixar o maior número possível de armários.
Como evitar prejuízo depois da instalação
Antes da fabricação dos móveis, vale conferir pessoalmente as medidas do ambiente e comparar com o manual da geladeira.
O projeto também deve registrar qual eletrodoméstico foi considerado. Assim, fica mais fácil entender de onde veio o erro caso a instalação não funcione como previsto.
Outro cuidado é não deixar a geladeira espremida entre duas peças de marcenaria.
Além da abertura das portas, o equipamento precisa da ventilação especificada pelo fabricante para dissipar o calor gerado durante o funcionamento.
Se o problema já aconteceu, a solução dependerá da origem do erro. Em alguns casos, pode ser necessário reduzir a profundidade de uma lateral, deslocar um módulo, trocar dobradiças ou reposicionar a própria geladeira.
A situação reforça uma regra simples para cozinhas planejadas: não basta saber se o eletrodoméstico cabe no nicho; é preciso verificar se ele consegue funcionar ali.
Alguns centímetros ignorados na planta podem fazer diferença entre uma cozinha compacta bem aproveitada e um projeto caro que precisa ser alterado logo depois da montagem.
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