Dinossauro de cerca de 12 metros viveu onde hoje ficam duas cidades de Goiás

Fragmentos encontrados no solo parecem pequenos, mas permitiram reconstruir parte de uma fauna que ocupava o estado milhões de anos antes do Cerrado existir

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
titanossauro
(Foto: Reprodução/National Geographic)

Há cerca de 80 milhões de anos, a paisagem onde hoje ficam Quirinópolis e Rio Verde não tinha cidades, lavouras nem o Cerrado atual.

Ali viviam dinossauros.

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás, Universidade Estadual de Goiás e Universidade de Edimburgo encontraram fósseis que ajudaram a reconstruir parte dessa fauna pré-histórica.

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Entre os materiais estão fragmentos atribuídos a titanossauros, enormes dinossauros herbívoros de pescoço e cauda longos.

Estimativa chega a 12 metros

Os pesquisadores não encontraram um esqueleto completo.

Foram recuperados fragmentos de dentes, costelas e ossos das patas.

A partir das características do grupo e da comparação com animais semelhantes, os cientistas estimaram que esses titanossauros poderiam alcançar aproximadamente 12 metros de comprimento e 6 metros de altura.

É importante entender que esse número é uma estimativa.

Não significa que exista um único exemplar goiano completo medindo exatamente 12 metros.

Fósseis estavam em barrancos e rochas

Encontrar material desse tipo exige atenção.

Os fragmentos aparecem em camadas sedimentares expostas pela erosão, cortes de estrada e barrancos.

Depois de localizados, passam por preparação em laboratório.

Pincéis e ferramentas pequenas retiram sedimentos.

Colas especiais podem ser usadas para estabilizar peças frágeis.

Só então começa a comparação anatômica.

Não havia apenas dinossauros

Os trabalhos revelaram uma fauna mais variada.

Além dos titanossauros, foram encontrados vestígios de tartarugas e crocodiliformes, parentes antigos dos crocodilos atuais.

Estudos posteriores reuniram também registros de terópodes carnívoros, plantas e outros organismos do Cretáceo Superior em Goiás.

Isso ajuda a reconstruir um ecossistema inteiro.

Goiás entrou no mapa da paleontologia

Por muito tempo, registros de dinossauros eram mais conhecidos em estados como São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

As descobertas no Sul de Goiás ampliaram esse mapa.

Pesquisadores passaram a concentrar trabalhos principalmente em Paraúna, Quirinópolis e Rio Verde.

Parte dos fósseis está guardada e estudada no Laboratório de Paleontologia e Evolução da UFG.

Paisagem seria irreconhecível

O ambiente do Cretáceo era muito diferente.

O Cerrado atual ainda não existia.

Clima, vegetação e distribuição dos continentes eram outros.

Titanossauros circulavam em busca de plantas enquanto tartarugas e crocodiliformes ocupavam rios e áreas úmidas.

Hoje, restaram apenas fragmentos.

Mas um pequeno pedaço de costela ou dente consegue revelar que gigantes de 12 metros já passaram exatamente pelo território onde hoje existem duas importantes cidades goianas.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.