Professor de Goiás pediu aparelho para dar aulas, mas confusão fez universidade receber um planetário inteiro
Um pedido relativamente simples foi interpretado de outra maneira e colocou a UFG diante de um equipamento grande demais para qualquer sala de aula

No fim dos anos 1960, o professor José Ubiratan de Moura, da Universidade Federal de Goiás (UFG), queria apenas melhorar as aulas de Cosmografia oferecidas aos estudantes de Geografia.
O equipamento pedido era um telúrio, aparelho didático relativamente pequeno utilizado para demonstrar os movimentos da Terra em torno do Sol.
A solicitação seguiu para o Ministério da Educação, mas alguma coisa se perdeu no caminho.
Técnicos interpretaram o pedido como se a universidade estivesse solicitando um planetário completo. Em vez do aparelho de sala de aula, chegou a Goiás um projetor Zeiss Spacemaster, acompanhado por um telescópio Cassegrain de 150 milímetros.
A situação era ainda mais incomum porque o equipamento fazia parte de um acordo entre o Brasil e a então Alemanha Oriental que envolvia a troca de instrumentos científicos por café brasileiro.
Era grande demais para simplesmente devolver
Depois da surpresa, apareceu uma questão prática: onde instalar aquilo?
O projetor exigia uma cúpula e estrutura própria. Segundo a reconstrução histórica publicada pela UFG, representantes da universidade e da Prefeitura chegaram a enxergar o equipamento quase como uma nova atração para o Parque Mutirama.
Foi ali que nasceu a primeira sede.
O Planetário da UFG abriu as portas em 23 de outubro de 1970, tornando-se um dos pioneiros do Brasil.
O começo, porém, esteve longe de ser tranquilo.
Menos de dois anos depois, infiltrações, falhas elétricas e problemas de ventilação atingiram o prédio. Em agosto de 1972, um curto-circuito danificou o projetor e interrompeu as atividades.
Chegou a existir interesse em levar o equipamento para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos, mas a UFG decidiu mantê-lo em Goiás.
Equipamento foi recuperado
Especialistas da própria Zeiss chegaram a considerar o projetor sem conserto.
Quem mudou a história foi o engenheiro Edgar Buhler, ex-funcionário da fabricante alemã. Ele desmontou a máquina, levou as peças ao Rio Grande do Sul e conseguiu recuperá-la.
Enquanto isso, um novo prédio foi construído.
O Planetário foi reinaugurado em 30 de março de 1977. Da instalação original permaneceram a cúpula interna e as poltronas da sala de projeção.
Em 2017, o espaço recebeu o nome de Planetário Juan Bernardino Marques Barrio e continua promovendo sessões, observações, atividades escolares e ações de divulgação científica.
Assim, uma confusão burocrática que poderia simplesmente ter terminado com a devolução de uma encomenda acabou deixando um patrimônio científico para Goiânia.
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