Ruínas de igreja que teria nove altares continuam de pé em pequena cidade de Goiás
Restaram apenas fragmentos da construção, mas documentos ajudam a imaginar a dimensão de um templo que já foi considerado o maior da antiga província

A Igreja de Nossa Senhora do Pilar, localizada em Pilar de Goiás, no interior do estado, guarda vestígios de uma construção que chegou a ser considerada a maior igreja da antiga província goiana.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o templo foi fundado em 1755 e teria contado originalmente com nove altares.
A dimensão da antiga igreja ajuda a explicar a importância econômica de Pilar de Goiás durante o ciclo do ouro, quando a mineração impulsionou o crescimento da região e financiou a construção de edifícios religiosos.
Para efeito de comparação, o Iphan informa que a Igreja Matriz de Pirenópolis possuía três altares na mesma referência histórica. Assim, o templo de Pilar se destacava pelo tamanho e pela quantidade de estruturas destinadas às celebrações religiosas.
Igreja chegou a ser a maior da província de Goiás
A construção da igreja começou em 1747, conforme levantamento publicado no projeto Igrejas de Goiás, do jornal O Popular.
Durante o período colonial, o templo reunia peças religiosas de ouro e prata, além de esculturas que demonstravam a riqueza produzida pela mineração.
Entretanto, a estrutura original sofreu um desmoronamento, e parte dos materiais foi reaproveitada na composição do edifício que existe atualmente.
Registros históricos apontam que a matriz foi reconstruída em dimensões menores no início do século XX, preservando elementos da antiga construção.
Há, porém, diferenças entre as fontes sobre o número de altares. Enquanto o Iphan registra nove, um relato do brigadeiro Cunha Matos, de 1823, descreveu sete.
Sinos de até 900 quilos também fazem parte do patrimônio
Além da igreja, outro destaque histórico são os Sinos de Pilar, produzidos no século XVIII e considerados pelo Iphan os maiores já fabricados para uma igreja em Goiás.
Cada sino pesa, em média, 900 quilos. Segundo o instituto, a fabricação utilizou uma arroba de ouro, e o som podia ser ouvido a mais de seis quilômetros de distância.

Sinos históricos de Pilar de Goiás estão entre os bens preservados do período colonial no município. (Foto: Reprodução/Gov.br)
A antiga matriz integra o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Pilar de Goiás, protegido pelo patrimônio histórico nacional desde 1954.
O município também conserva a Casa da Princesa, construída com técnicas tradicionais como taipa de pilão e adobe, além de exemplares do casario colonial.
Atualmente, esses imóveis e estruturas religiosas constituem registros materiais da atividade mineradora e da formação dos primeiros núcleos urbanos de Goiás.

Casa da Princesa integra o patrimônio histórico de Pilar de Goiás e preserva características da arquitetura colonial. (Foto: Museu Casa da Princesa — Ibram)
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