Artista goiana repercute após usar design inusitado para se posicionar politicamente

Jovem uniu colagem manual com música do Criolo e usou espaço nas redes para se manifestar

Natália Sezil Natália Sezil -
Artista goiana, Myrelly usou da arte para se posicionar politicamente.
Artista goiana, Myrelly usou da arte para se posicionar politicamente. (Foto: @xmyrelly)

Imagine fazer uma colagem, publicar nas redes sociais e, de repente, ver uma arte produzida por você espalhada “pelos quatro cantos”. Foi o que aconteceu com uma artista goiana, que resolveu se manifestar politicamente por meio do design e acabou repercutindo.

Myrelly Galvão fez uma colagem manual em que misturava uma foto do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), estrelas vermelhas e douradas e uma letra escrita pelo cantor Criolo – “Menino mimado”, faixa de 2017.

A postagem do dia 1º de outubro logo viralizou. Nesta segunda-feira (19), a seis dias do segundo turno, tem quase 700 mil curtidas, mais de 3 mil comentários e 141 mil repostagens, incluindo de alguns famosos.

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Myrelly contou ao Portal 6 que já costuma fazer colagens manuais há cerca de um ano, porque trabalha com artes digitais e tenta ter hobbies fora das telas. O hábito consolidado uniu-se à vontade de se manifestar.

“Apesar de ser uma pessoa pequena em termos de número, acho que é importante se posicionar. E acho que arte é política, e política está em todo lugar”, defendeu.

A repercussão trouxe surpresas boas e ruins. A artista relembra que recebeu repostagens de deputadas do Partido dos Trabalhadores (PT) de outros estados e de algumas pessoas famosas.

“Acho que ter esse suporte de pessoas que eu admiro é muito legal. A internet nos dá isso, que é estar em contato com todo mundo. Tive essa percepção melhor depois que postei, porque achamos que estamos postando só para nossos amigos e outras pessoas veem”, disse.

Mesmo assim, isso precisou dividir espaço com ataques. Myrelly conta ter recebido bem quem discordava, mas estava disposto a dialogar. “A discussão é uma coisa muito importante, principalmente agora com o segundo turno”, avalia.

Outros comentários já não foram tão agradáveis. Os xingamentos eram variados, direcionados tanto à jovem quanto ao trabalho dela.

Processo de criação

Em um dia, após encerrar o expediente profissional e voltar para casa, a designer imprimiu quatro frases que poderia utilizar. A escolhida foi a de Criolo: “meninos mimados não podem reger a nação”.

As estrelas, formato já comum em outros trabalhos, combinaram com o período eleitoral e somaram à arte. Myrelly pontua que, diante do contexto atual, seria possível entender o posicionamento político dela apenas pelos elementos escolhidos.

“O meu processo é meio bagunçado, então eu só imprimo coisas que eu acho que façam sentido. Imprimi tudo que eu queria, coloquei tudo no papel e gostei”, detalha.

A artista admite que a música não costumava fazer parte do repertório até recentemente, pois prefere canções pop, mas acreditava que era preciso se conectar com a realidade brasileira.

“Não tem música melhor para colocar do que essa. Eu acho o Criolo muito à frente do tempo dele, mesmo quando estava no começo da carreira. Uma pessoa que sempre se posicionou e sempre foi muito inteligente”, afirmou.

Graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e estudante de rede pública ao longo de toda a vida, Myrelly avalia que as vivências ajudaram a definir que posicionamento político defenderia. Diz respeitar e ser grata às políticas públicas.

Quanto à repercussão da arte que fez, a jovem defendeu: “acho que, quando a gente posta uma coisa para a internet, ela acaba que não vira mais nossa”. Inicialmente, admite que sentiu ciúmes de que outras pessoas estivessem usando o trabalho dela, mas isso logo passou.

“Fiquei muito contente com isso. Tem gente em outros lugares do país com cartazes. Então senti que contribuí um pouco para a sociedade”, finalizou.

Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.