Mesmo com tarifaço, Goiás consegue aumentar exportações aos Estados Unidos em 30,5% e vende US$ 779,1 milhões
Carne bovina ajudou a impulsionar resultado estadual, embora maioria das cidades exportadoras tenha registrado queda nas vendas

Mesmo com as tarifas impostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros, Goiás aumentou em 30,5% as exportações para os Estados Unidos em um ano. As vendas chegaram a US$ 779,1 milhões, com a carne bovina entre os setores que ajudaram a sustentar o crescimento.
Os números são de um estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgado nesta segunda-feira (19). O levantamento compara as exportações realizadas entre agosto de 2024 e julho de 2025 com as de agosto de 2025 a julho de 2026.
No primeiro intervalo, Goiás havia vendido US$ 597,2 milhões aos americanos. A diferença foi de US$ 181,9 milhões, o maior aumento em dólares entre os estados brasileiros. Na conta em reais apresentada pela entidade, que considera as variações cambiais de cada período, o avanço correspondeu a R$ 663,6 milhões.
Parte importante desse resultado passa por Mozarlândia, no Noroeste goiano. O município, que abriga um frigorífico da Friboi, marca da JBS, aparece entre os dez do país com os maiores aumentos nas vendas aos Estados Unidos. A unidade integra a operação exportadora de carne bovina da companhia.
As exportações de Mozarlândia para o mercado americano cresceram US$ 225,7 milhões no período analisado. O grupo de carnes e miudezas comestíveis foi o principal destaque apontado pela CNM.
O aumento registrado na cidade foi superior ao avanço líquido de Goiás inteiro. Isso ocorre porque parte do ganho foi compensada por quedas nas vendas de outros municípios.
Dos 58 municípios goianos que mantiveram relações comerciais com os Estados Unidos nos dois anos analisados, 67% tiveram redução no valor exportado. Os demais 33% registraram crescimento.
Assim, o resultado positivo do estado não significa que todos os setores conseguiram atravessar o período sem dificuldades. O açúcar, por exemplo, aparece no estudo como o principal produto afetado em Goiás.
A CNM aponta que a cadeia da carne bovina impulsionou os resultados de Goiás, Sergipe e Rondônia. Juntos, os três estados ampliaram as exportações aos americanos em aproximadamente US$ 375 milhões.
No Brasil, o movimento foi de retração. As vendas aos Estados Unidos caíram 16,2%, passando de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões. Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro concentraram as maiores perdas em dólares.
O levantamento utiliza dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Além das tarifas, fatores como câmbio, preços e condições do mercado internacional também influenciam os resultados.
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