Em 1977, príncipe saudita levou iceberg de quase 2 toneladas do Alasca aos Estados Unidos para provar que gelo poderia abastecer desertos

Operação utilizou mergulhadores, helicóptero, avião e caminhão refrigerado, mas a ambiciosa experiência teve um desfecho inesperado

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Operação financiada por príncipe saudita levou um bloco de gelo do Alasca aos Estados Unidos em 1977 para estudar o transporte de icebergs
Operação financiada por príncipe saudita levou um bloco de gelo do Alasca aos Estados Unidos em 1977 para estudar o transporte de icebergs (Foto: Reprodução)

Em 1977, um príncipe da Arábia Saudita decidiu testar uma ideia que parecia saída de um filme de ficção científica: transportar enormes icebergs para abastecer regiões desérticas com água doce.

Mohammed Al-Faisal acreditava que blocos gigantescos de gelo poderiam viajar das regiões polares até o Oriente Médio.

Entretanto, antes de colocar o plano em prática, precisava demonstrar que transportar uma grande quantidade de gelo era tecnicamente possível.

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Por isso, financiou uma operação para levar um bloco da geleira Portage, no Alasca, até uma universidade em Iowa, nos Estados Unidos.

O carregamento pesava aproximadamente 1,1 tonelada, embora alguns relatos tenham mencionado até duas toneladas.

Além disso, o gelo possuía milhares de anos e havia se formado pela compactação de antigas camadas de neve.

Viagem exigiu avião, helicóptero e caminhão refrigerado

O transporte começou com mergulhadores trabalhando na retirada do bloco de gelo.

Em seguida, um helicóptero ajudou a movimentar o material até a região de Anchorage.

O iceberg foi cortado para caber em uma estrutura de transporte e recebeu proteção térmica.

Depois, seguiu de avião até Mineápolis e completou a viagem em um caminhão refrigerado.

A operação terminou na Universidade Estadual de Iowa, onde aconteceria a primeira Conferência Internacional sobre a Utilização de Icebergs.

O evento foi realizado entre 2 e 6 de outubro de 1977 e reuniu pesquisadores de diferentes países.

Segundo relatos históricos, o transporte do gelo custou milhares de dólares, chegando perto de US$ 10 mil.

O valor chamou atenção porque a experiência envolvia apenas uma pequena fração do volume que o príncipe pretendia movimentar futuramente.

O plano era levar milhões de toneladas de gelo aos desertos

A proposta de Mohammed Al-Faisal era muito mais ambiciosa.

O príncipe pretendia rebocar icebergs da Antártida até a costa da Arábia Saudita, onde poderiam servir como fonte de água doce.

Uma das ideias envolvia transportar um bloco com aproximadamente 100 milhões de toneladas.

Entretanto, os pesquisadores precisavam resolver problemas relacionados ao derretimento durante a viagem.

Além disso, seria necessário desenvolver sistemas de reboque capazes de movimentar estruturas gigantescas por milhares de quilômetros.

O custo da operação também representava um desafio.

Por isso, o projeto passou a exigir novos estudos antes que pudesse chegar à fase de execução.

Operação financiada por príncipe saudita levou um bloco de gelo do Alasca aos Estados Unidos em 1977 para estudar o transporte de icebergs

Operação financiada por príncipe saudita levou um bloco de gelo do Alasca aos Estados Unidos em 1977 para estudar o transporte de icebergs (Foto: Reprodução)

Parte do iceberg acabou dentro dos copos

Apesar da complexidade, o bloco transportado do Alasca chegou à universidade e serviu para experiências científicas.

Entretanto, parte do gelo também ganhou uma finalidade inesperada.

Segundo uma reportagem publicada pelo Washington Post em outubro de 1977, pedaços do bloco foram utilizados para resfriar bebidas durante o encontro.

Assim, uma demonstração planejada para discutir o abastecimento de água terminou com gelo milenar dentro de copos.

O projeto de rebocar enormes icebergs até a Arábia Saudita não chegou a ser concretizado.

Ainda assim, a experiência ficou registrada como uma das tentativas mais curiosas de encontrar soluções para a escassez de água doce.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.