Morador de apartamento troca o varal por uma secadora compacta para ganhar espaço na área de serviço e descobre quanto o aparelho acrescenta na conta de luz
A solução libera espaço e não depende do tempo para funcionar, mas há uma conta simples que vale fazer antes de abandonar o método tradicional

Em apartamentos pequenos, abrir um varal no meio da área de serviço pode significar perder boa parte do espaço de circulação durante horas. Em dias chuvosos ou com pouca ventilação, existe ainda outro problema: as roupas podem levar muito tempo para secar.
Uma alternativa é substituir parte do uso do varal por uma secadora compacta de parede, instalada acima da máquina de lavar ou em outro espaço livre. Há modelos que ficam praticamente recolhidos quando não estão funcionando e conseguem receber até 8 kg de roupas úmidas, o que ajuda a explicar o interesse de quem mora em imóveis menores.
A praticidade, no entanto, vem acompanhada de uma pergunta inevitável: quanto isso acrescenta na conta de energia?
Um ciclo pode custar pouco mais de R$ 1
É possível fazer uma estimativa usando um aparelho real vendido atualmente no Brasil. A secadora de parede Mueller Sun, com capacidade declarada para 8 kg de roupas úmidas, possui potência de 1.520 W e consumo informado pelo fabricante de aproximadamente 1,5 kWh por ciclo.
Em Goiás, a tarifa residencial convencional da Equatorial utilizada como referência em 2026 é de aproximadamente R$ 0,89 por kWh, antes de considerar variações tributárias, bandeiras tarifárias e outros componentes que podem aparecer na fatura.
Multiplicando os dois números, um ciclo de 1,5 kWh representa aproximadamente R$ 1,34 em energia nessa referência. O valor real da conta pode ser maior porque a tarifa final paga pelo consumidor varia conforme impostos, bandeiras e condições específicas do fornecimento.
| Uso da secadora | Consumo estimado | Custo aproximado |
|---|---|---|
| 8 ciclos por mês | 12 kWh | R$ 10,70 |
| 12 ciclos por mês | 18 kWh | R$ 16,05 |
| 20 ciclos por mês | 30 kWh | R$ 26,75 |
| 30 ciclos por mês | 45 kWh | R$ 40,13 |
*Estimativa usando 1,5 kWh por ciclo e tarifa de R$ 0,8918/kWh. O valor efetivo da fatura pode ser diferente.
Na prática, portanto, uma família que utilize a secadora três vezes por semana poderia adicionar algo próximo de R$ 16 por mês somente pela energia consumida pelo equipamento, enquanto o uso praticamente diário poderia se aproximar de R$ 40 nessa mesma conta simplificada.
Nem toda secadora consome a mesma quantidade
Esses valores não devem ser aplicados a qualquer aparelho.
Capacidade, potência, tecnologia e duração do programa mudam bastante de um modelo para outro. Uma secadora de parede simples trabalha de maneira diferente de uma secadora de tambor ou de uma lava e seca, por exemplo.
Também não basta olhar apenas para a potência impressa na etiqueta. Um equipamento de 1.500 W não necessariamente fica consumindo exatamente essa potência durante todo o ciclo, porque termostatos e controles internos podem ligar e desligar o aquecimento.
Por isso, o dado mais útil para comparar equipamentos é o consumo por ciclo informado pelo fabricante, quando disponível.
O espaço economizado é justamente o principal atrativo
Nos modelos compactos de parede, a vantagem fica evidente quando se olha para as medidas. A Mueller Sun, por exemplo, possui aproximadamente 50 centímetros de largura e pode ser dobrada em direção à parede quando não está funcionando.
Isso permite aproveitar uma área vertical que normalmente ficaria vazia e manter livre o piso da lavanderia. A lógica acompanha uma tendência já observada em soluções que substituem os grandes varais horizontais em casas e apartamentos com pouco espaço.
Na matéria anterior, modelos verticais, retráteis, dobráveis e de parede já apareciam como alternativas para lavanderias compactas. A secadora acrescenta uma diferença importante: em vez de apenas ocupar menos espaço para estender as roupas, ela acelera efetivamente a retirada da umidade.
Chuva deixa de determinar o dia da lavagem
O ganho de praticidade aparece principalmente em imóveis com pouca incidência de sol, lavanderias internas e períodos chuvosos. Enquanto o varal depende da temperatura, da circulação de ar e da umidade ambiente, a secadora utiliza ar aquecido para retirar água do tecido.
Em modelos compactos de parede, as roupas ficam suspensas dentro de uma câmara enquanto o aparelho movimenta ar quente ao redor delas. Há equipamentos com timer de até 120 minutos, embora o tempo necessário varie conforme quantidade, tecido e nível de umidade das peças.
Isso permite lavar uma carga durante a noite ou em um dia de chuva sem precisar manter a lavanderia ocupada por um varal durante boa parte do dia seguinte.
Para apartamentos sem varanda ou com regras que impedem roupas expostas externamente, esse detalhe pode pesar ainda mais na decisão.
Centrifugar bem ajuda a gastar menos
Existe uma forma simples de reduzir o trabalho da secadora: colocar nela roupas que já saíram da máquina com o máximo possível de água removido pela centrifugação.
Quanto mais água permanecer no tecido, mais tempo o equipamento precisará funcionar para evaporá-la. Por isso, usar uma boa centrifugação antes da secagem tende a reduzir tanto o tempo necessário quanto o consumo de energia.
Também não é interessante colocar mais roupa do que a capacidade indicada. Além de dificultar a circulação do ar, a sobrecarga pode prolongar o ciclo e deixar peças parcialmente úmidas.
O mesmo cuidado vale para misturar tecidos muito diferentes. Uma camiseta leve pode secar bem antes de uma toalha grossa, fazendo o aparelho continuar funcionando apenas por causa das peças mais pesadas.
Algumas roupas continuam melhores no varal
Comprar uma secadora também não significa que todas as peças devam entrar nela.
O símbolo de secagem presente na etiqueta informa se determinado tecido pode ser levado à máquina e quais cuidados são necessários. Peças delicadas, determinados materiais sintéticos e roupas sujeitas a encolhimento podem exigir secagem natural.
Por isso, uma estratégia econômica é combinar os dois métodos: utilizar o varal quando houver tempo e espaço disponíveis e reservar a secadora para dias de chuva, toalhas, roupas necessárias com urgência ou momentos em que a lavanderia precisa ficar livre.
Além de reduzir a conta de luz, isso diminui a exposição desnecessária dos tecidos ao calor.
Vale trocar o varal?
Do ponto de vista financeiro, o varal continua praticamente imbatível porque utiliza vento e calor do ambiente sem acrescentar consumo elétrico. A secadora entra como uma troca entre custo e conveniência.
Com uma referência próxima de 1,5 kWh por ciclo, usar o equipamento algumas vezes por semana não necessariamente transforma a conta de energia, mas o impacto passa a ser perceptível conforme a frequência aumenta. Um uso de 12 ciclos mensais fica na casa dos R$ 16 na estimativa utilizada; 30 ciclos já passam de R$ 40, antes de outros componentes tarifários.
Para quem vive em um apartamento pequeno, porém, a comparação não envolve apenas dinheiro. Existe também o valor de recuperar espaço na lavanderia, não depender do clima e conseguir ter roupas secas em poucas horas.
É justamente aí que a secadora compacta ganha espaço: ela não torna o velho varal inútil, mas oferece uma alternativa para os momentos em que metros quadrados livres e tempo disponível valem tanto quanto os quilowatts gastos.
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