Número de barbeiros encontrados em Goiânia cresce e acende alerta para doença que pode afetar o coração
Total identificado em nove meses já supera o de todo o ano passado. Especialista orienta sobre os cuidados para evitar a infecção

O aumento no número de barbeiros encontrados em Goiânia reforçou o alerta para a doença de Chagas, infecção que pode passar anos sem apresentar sintomas e provocar complicações no coração e no sistema digestivo. Entre janeiro e setembro de 2026, foram identificados 29 insetos na capital, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
O número já supera em 45% os 20 exemplares encontrados durante todo o ano de 2025. Em abril deste ano, o Laboratório Estadual de Saúde Pública (Lacen-GO) confirmou que um dos barbeiros recolhidos em Goiânia estava infectado pelo Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença.
A presença de um inseto infectado não significa, por si só, que moradores tenham sido contaminados. Ainda assim, o achado exige atenção aos cuidados dentro de casa e à forma de recolher um exemplar suspeito.
A infectologista Déborah Mota, do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis, explica que, ao contrário do que muita gente imagina, a transmissão pelo barbeiro não ocorre diretamente pela picada.
“A principal via de contágio ainda é o contato das fezes contaminadas do barbeiro com a pele lesionada pelo ato de coçar a picada ou com mucosas expostas, como olhos e boca”, afirma.
A infecção também pode ocorrer pelo consumo de alimentos e bebidas contaminados, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, além de transfusões de sangue e transplantes de órgãos infectados.
Um dos desafios é que a doença pode permanecer silenciosa por muitos anos. Na fase inicial, os sintomas podem incluir febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza e inchaço, mas nem todas as pessoas apresentam sinais da infecção.
Com o tempo, parte dos pacientes desenvolve problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca, ou alterações digestivas, como a dilatação do esôfago e do intestino grosso. Essas complicações não atingem todas as pessoas infectadas.
Em Goiânia, os registros da forma crônica passaram de 255 em 2025 para 362 em 2026. O aumento dos diagnósticos, porém, não significa que essas pessoas tenham sido infectadas recentemente ou na capital, já que a descoberta pode acontecer décadas depois do contágio.
Segundo Déborah, a investigação muda conforme o estágio da doença. Na fase inicial, os exames buscam identificar o parasita no sangue. Já na fase crônica, são utilizados testes para detectar anticorpos.
“Já na fase crônica, a carga parasitária no sangue é muito baixa. Por essa razão, o protocolo de confirmação exige obrigatoriamente a realização de dois testes sorológicos de metodologias distintas com resultados positivos”, explica.
Cuidados em casa
Para reduzir a possibilidade de abrigo do inseto, a infectologista recomenda manter quintais limpos e evitar o acúmulo de entulho, telhas e madeira. Galinheiros, canis e currais devem ficar afastados da residência.
Vedar frestas em portas e paredes e instalar telas nas janelas também são medidas que ajudam a impedir a entrada e a permanência dos barbeiros.
Se encontrar um inseto suspeito, o morador não deve esmagá-lo nem pegá-lo com as mãos desprotegidas. Caso consiga recolhê-lo com segurança, deve usar luvas ou um saco plástico para proteger as mãos e colocá-lo em um recipiente com tampa, preferencialmente vivo.
O exemplar deve ser encaminhado à Vigilância em Zoonoses do município para identificação e análise. Se houver suspeita de picada ou contato com material do inseto, a orientação é procurar uma unidade de saúde e relatar o ocorrido para avaliação.
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