Águas que nascem em Goiás percorrem três grandes bacias hidrográficas do Brasil
Dependendo de onde a chuva cai, a água pode seguir caminhos completamente diferentes e alimentar rios que atravessam várias regiões do país

Uma chuva que cai em Goiás pode iniciar uma viagem de centenas ou até milhares de quilômetros, passando por diferentes estados antes de chegar a rios muito distantes. O destino depende de um detalhe que nem sempre é percebido na paisagem: a localização dos divisores de águas.
O território goiano abriga nascentes e cursos d’água que alimentam três grandes regiões hidrográficas brasileiras: Tocantins-Araguaia, São Francisco e Paraná.
Essa característica, reconhecida pelo Governo de Goiás e pelo Instituto Mauro Borges (IMB), faz do estado uma importante área de distribuição natural das águas no país.
Na prática, a água que escorre por uma encosta pode alimentar um rio que segue para o Norte, enquanto a precipitação registrada em outro ponto do estado pode percorrer o caminho contrário.
Três nascentes e destinos diferentes
Um dos exemplos mais conhecidos está na Serra dos Caiapós, na região de Mineiros, no Sudoeste goiano. É nessa área, próxima à divisa com Mato Grosso, que nasce o Rio Araguaia.
De acordo com estudos do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o rio atravessa áreas de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará, até encontrar o Rio Tocantins. Suas águas seguem posteriormente em direção à região amazônica.
Um segundo caminho começa no município de Itauçu, onde se encontram as nascentes do Rio Meia Ponte, na Serra dos Brandões.
O curso passa pela região de Goiânia e segue até desaguar no Rio Paranaíba, na divisa entre Goiás e Minas Gerais. O Paranaíba, por sua vez, encontra o Rio Grande e dá origem ao Rio Paraná.
Assim, a água que nasce no território goiano passa a integrar uma das principais redes hidrográficas do Centro-Sul brasileiro.
Já no município de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, nasce o Rio Preto, associado à Lagoa Feia. Diferentemente dos exemplos anteriores, esse curso integra a bacia do Rio São Francisco.
O Rio Preto segue em direção a Minas Gerais, onde encontra o Rio Paracatu, que depois deságua no São Francisco. Dessa forma, parte das águas originadas no Leste goiano contribui para um sistema hidrográfico que percorre o interior do Nordeste e chega ao Oceano Atlântico.

Paisagem no caminho da nascente do Rio Meia Ponte, em Itauçu, de onde as águas seguem para o Rio Paranaíba. (Foto: João Faria/ONG Rios Goianos, via UFG)
O que determina o caminho da água?
A explicação está no relevo. Os chamados divisores hidrográficos são elevações do terreno que separam áreas de drenagem diferentes.
Quando chove, parte da água infiltra no solo e outra parte escoa pela superfície, acompanhando a inclinação natural do terreno até alcançar córregos e rios.
Por isso, nascentes relativamente próximas podem alimentar bacias distintas, mesmo quando estão localizadas em uma mesma região geográfica.
Essa dinâmica também ajuda a explicar a importância da preservação das nascentes e da vegetação do Cerrado. O que acontece nas áreas onde os rios começam pode influenciar a disponibilidade e a qualidade da água em locais muito distantes.
Preservação começa nas cabeceiras
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) reconhece a importância estratégica das bacias hidrográficas para o abastecimento, a agricultura e a conservação ambiental.
Entre os desafios estão a proteção das áreas de recarga hídrica, o controle da erosão, a preservação da vegetação próxima aos cursos d’água e o uso sustentável dos recursos disponíveis.
Assim, mais do que abrigar rios conhecidos, Goiás ocupa uma posição geográfica que ajuda a definir para onde seguem as águas de diferentes regiões brasileiras.
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