Após incêndio, Funev remaneja pacientes para outros setores do Hospital Municipal Alfredo Abrão
Em nota, a gestora informou que uma intercorrência em um painel elétrico provocou fumaça

Um incêndio atingiu o Hospital Municipal Alfredo Abrahão, em Anápolis, nesta quarta-feira (21). A fumaça fez pacientes correrem para sair dos quartos. O Portal 6 apurou que ninguém ficou ferido. A ocorrência mobilizou oito bombeiros e duas viaturas.
Em nota, a Funev informou que uma intercorrência elétrica em um dos dois painéis de energia provocou fumaça em parte das instalações. A gestora afirmou que os pacientes que estavam nas áreas abastecidas pelo painel afetado foram remanejados preventivamente para outros espaços do próprio hospital.
O Portal 6 havia apurado que o fogo teria começado após um curto-circuito na sala de controle de eletricidade. A nota da Funev descreve o episódio como uma intercorrência elétrica, mas não detalha a causa exata. A empresa informou que os bombeiros fizeram as avaliações necessárias e deixaram o local.
A unidade ficou sem energia da rede elétrica e passou a operar com o gerador, conforme informação obtida pelo Portal 6. A Funev acrescentou que os sistemas de geradores e baterias permanecem em funcionamento para dar suporte à estrutura hospitalar. Imagens enviadas à reportagem mostram o painel de energia danificado e uma viatura em frente ao hospital.
Principal referência hospitalar
O Hospital Alfredo Abrahão funciona no prédio do antigo CAIS Progresso, desativado em 2018 por problemas estruturais e sanitários. A unidade foi inaugurada em novembro de 2021. Na abertura, contava com 75 leitos, dez deles de UTI, e três centros cirúrgicos. Atualmente, a Prefeitura informa que o hospital tem 78 leitos, dez de UTI e seis centros cirúrgicos.
A unidade realiza cirurgias, consultas e exames em diversas especialidades. Também se tornou a principal referência hospitalar da rede municipal, sobretudo para casos de trauma, ortopedia e queimaduras. Já os atendimentos gerais de urgência são distribuídos entre a UPA Alair Mafra, a Unidade Mista da Vila Norte e o Centro Médico da Jaiara.
A sede da UPA Alair Mafra, na Vila Esperança, fechou para reforma em fevereiro de 2026. Durante a transição, parte dos pacientes foi encaminhada ao Hospital Alfredo Abrahão e à Unidade Mista da Vila Norte. Depois, o serviço da UPA passou a funcionar no antigo Hospital Municipal Jamel Cecílio. Portanto, a reforma fechou temporariamente a sede da Vila Esperança, mas não encerrou o atendimento da UPA.
Custo da obra e polêmicas
O custo total da construção e ampliação do Hospital Alfredo Abrahão não aparece consolidado nas fontes consultadas. Na inauguração, a Prefeitura informou que a maior parte dos investimentos veio do município, com apoio de emendas federais. Já os cerca de R$ 18,1 milhões citados em documentos do Ministério Público de Contas junto ao TCM-GO correspondem a um contrato de gestão de seis meses firmado em 2021, não ao custo da obra.
A gestão do hospital enfrentou questionamentos de órgãos de controle. Em 2021, o TCM-GO suspendeu a inauguração prevista para 1º de novembro após o Ministério Público de Contas apontar possíveis falhas na contratação emergencial da organização social responsável pela unidade, incluindo a falta de chamamento público e de debate com o Conselho Municipal de Saúde. O hospital foi inaugurado em 9 de novembro.
Em 2024, o Ministério Público de Goiás recomendou uma transição na gestão após inspeções identificarem mais de cem irregularidades sanitárias. No ano seguinte, uma decisão liminar determinou o bloqueio de bens e valores da antiga gestora até o limite de R$ 42,9 milhões, em ação do município sobre suspeitas na prestação de contas e na aplicação de recursos. A medida é provisória e não representa condenação definitiva. A Funev assumiu a gestão em 2024 e venceu novo chamamento público em setembro de 2026.
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