Gerente de RH vê jovens da geração Z pedirem demissão em poucos meses e descobre a solução que recrutadores estão adotando para preencher as vagas

Diante da saída frequente de funcionários mais jovens, empresas estão apostando em uma alternativa que promete reduzir custos e transformar a maneira de preencher vaga

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
geração Z no trabalho
(Imagem: Portal 6)

Contratar um funcionário, investir em treinamento e descobrir, poucos meses depois, que ele decidiu pedir demissão. Para profissionais de Recursos Humanos, essa situação pode representar um verdadeiro pesadelo.

Imagine uma gerente de RH que precisa reabrir a mesma vaga várias vezes porque os contratados não permanecem na empresa. Além dos custos, ela enfrenta a dificuldade de encontrar candidatos dispostos a aceitar as condições oferecidas.

Esse desafio tem levado organizações a repensar seus processos de contratação. E uma mudança que já aparece em pesquisas internacionais pode alterar especialmente as oportunidades destinadas aos profissionais mais jovens.

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Qual é a solução encontrada pelos recrutadores?

A alternativa que vem ganhando espaço é a inteligência artificial (IA), utilizada por empresas para automatizar atividades que antes exigiam a contratação de funcionários.

Um levantamento internacional realizado em 2025 com mais de 850 líderes empresariais mostrou que 31% das organizações pesquisadas já procuram soluções de IA antes de considerar a contratação de uma pessoa.

Além disso, 39% dos entrevistados afirmaram que suas empresas reduziram ou eliminaram funções de entrada devido aos ganhos de eficiência proporcionados pela tecnologia.

Na prática, tarefas como organização de informações, pesquisas, elaboração de relatórios e atividades administrativas podem ser parcialmente automatizadas.

Por que as empresas estão enfrentando tantos pedidos de demissão?

No Brasil, uma pesquisa divulgada em fevereiro de 2026, com 300 profissionais ligados ao recrutamento e à gestão de pessoas, identificou os principais motivos associados às demissões voluntárias.

Para 70% dos entrevistados, oportunidades melhores em outras empresas estão entre os principais fatores. A falta de crescimento profissional foi mencionada por 32%, enquanto salários abaixo da média do mercado apareceram em 28% das respostas.

Embora a geração Z seja frequentemente associada à busca por flexibilidade e desenvolvimento, esses resultados abrangem trabalhadores de diferentes idades.

Inteligência artificial pode substituir os funcionários mais jovens?

Algumas funções de entrada estão particularmente expostas à automação porque envolvem atividades repetitivas ou digitais. Entretanto, isso não significa que a inteligência artificial consiga substituir integralmente todos esses profissionais.

Uma pesquisa internacional publicada em 2025 apontou que aproximadamente um em cada quatro empregos no mundo apresenta algum grau de exposição à IA generativa.

Apesar disso, a transformação das funções, e não o desaparecimento completo dos empregos, foi considerada o resultado mais provável. Isso acontece porque muitas atividades ainda dependem de julgamento humano, comunicação, criatividade e supervisão.

Empresas também estão investindo em outra estratégia

Além da automação, organizações passaram a adotar medidas para evitar que novos funcionários deixem seus cargos precocemente.

No Brasil, uma pesquisa sobre rotatividade identificou que 39% das empresas entrevistadas utilizavam programas de desenvolvimento de carreira como estratégia de retenção.

Outras 35% apostavam em treinamentos e capacitações, enquanto 33% investiam na preparação das lideranças.

Essas iniciativas procuram resolver problemas que a tecnologia, sozinha, não consegue solucionar.

O que muda para quem está procurando emprego?

O avanço da IA pode tornar algumas vagas iniciais mais competitivas, mas também amplia a importância das habilidades tecnológicas.

Para profissionais da geração Z, aprender a utilizar ferramentas digitais, desenvolver pensamento crítico e demonstrar capacidade de adaptação pode representar uma vantagem nos processos seletivos.

Já para as empresas, o desafio será equilibrar automação, qualificação e condições de trabalho capazes de manter bons profissionais.

A tendência mostra que a solução para a rotatividade não depende apenas de substituir pessoas por tecnologia, mas também de criar oportunidades que façam os trabalhadores querer permanecer.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.