Goiás tem mais de 1,5 mil sítios arqueológicos e centenas deles podem estar sem localização precisa

Levantamento histórico encontrou centenas de registros sem coordenadas precisas; estudos mais recentes ajudam a dimensionar o patrimônio goiano

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
sítios arqueológicos em Goiás
Pesquisadores realizam escavação em sítio arqueológico de Goiás, onde foram identificados vestígios de ocupações humanas antigas. (Foto: Reprodução/Iphan)

Debaixo da terra, em cavernas e sobre paredões de rocha, Goiás guarda vestígios da presença humana que remontam a milhares de anos. Entretanto, encontrar esses locais nem sempre é uma tarefa simples, mesmo quando já aparecem em registros oficiais.

Um levantamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), divulgado em 2010, identificou 1.555 sítios arqueológicos no estado. Na época, 756 ainda não tinham localização geográfica precisa.

Em muitos casos, as descrições se limitavam a referências como uma fazenda, uma porteira ou uma área de mata, dificultando a identificação exata dos vestígios.

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O levantamento também apontava que alguns locais haviam sido afetados por empreendimentos, incluindo hidrelétricas.

O que mostram os dados mais recentes?

O cenário dos cadastros passou por mudanças desde então.

Um levantamento do MapBiomas, divulgado em 2026 com base em registros do Iphan referentes a março de 2025, contabilizou 946 sítios arqueológicos georreferenciados em Goiás.

Esse total representa os locais incluídos na base geográfica utilizada pelo estudo e não deve ser interpretado como a quantidade completa de sítios existentes no estado.

O levantamento nacional também identificou mais de 9 mil sítios arqueológicos sem georreferenciamento no Brasil, evidenciando que a dificuldade de localização ainda integra o desafio de preservar esse patrimônio.

Pinturas e gravuras contam histórias antigas

Entre os exemplos do patrimônio arqueológico goiano estão locais como a Toca da Onça e o Sítio do Bisnau, na região de Formosa.

Na Toca da Onça, pesquisadores documentaram pinturas rupestres, com representações de animais, figuras humanas e símbolos produzidos por populações antigas.

sítios arqueológicos em Goiás

Pinturas rupestres preservadas na Toca da Onça, em Formosa, revelam vestígios da presença humana na região há milhares de anos. (Foto: Reprodução/IFG)

Já o Bisnau conserva gravuras feitas diretamente sobre a superfície das rochas, conhecidas como petroglifos.

Esses vestígios ajudam os arqueólogos a investigar como viviam os grupos humanos que ocuparam o Planalto Central antes da chegada dos colonizadores.

A preservação, porém, enfrenta ameaças como vandalismo, erosão e intervenções humanas.

Como encontrar sítios registrados há décadas?

A localização de um sítio arqueológico exige a combinação de documentos históricos, mapas, informações de moradores e levantamentos em campo.

Atualmente, o Iphan utiliza o Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG) para cadastrar e reconhecer os sítios arqueológicos brasileiros.

O órgão também mantém registros históricos do Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), incluindo locais cujas informações ainda não permitem a homologação no sistema mais recente.

A atualização das fichas de cadastro, realizada em dezembro de 2025, integra o esforço de modernização do registro desse patrimônio.

Embora existam informações públicas sobre os sítios já identificados, ainda é necessário obter do Iphan um balanço atualizado específico para Goiás, indicando quantos continuam sem coordenadas precisas, quantos foram perdidos ou afetados por obras e quais estão autorizados a receber visitantes.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.