Goiás tem mais de 1,5 mil sítios arqueológicos e centenas deles podem estar sem localização precisa
Levantamento histórico encontrou centenas de registros sem coordenadas precisas; estudos mais recentes ajudam a dimensionar o patrimônio goiano

Debaixo da terra, em cavernas e sobre paredões de rocha, Goiás guarda vestígios da presença humana que remontam a milhares de anos. Entretanto, encontrar esses locais nem sempre é uma tarefa simples, mesmo quando já aparecem em registros oficiais.
Um levantamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), divulgado em 2010, identificou 1.555 sítios arqueológicos no estado. Na época, 756 ainda não tinham localização geográfica precisa.
Em muitos casos, as descrições se limitavam a referências como uma fazenda, uma porteira ou uma área de mata, dificultando a identificação exata dos vestígios.
O levantamento também apontava que alguns locais haviam sido afetados por empreendimentos, incluindo hidrelétricas.
O que mostram os dados mais recentes?
O cenário dos cadastros passou por mudanças desde então.
Um levantamento do MapBiomas, divulgado em 2026 com base em registros do Iphan referentes a março de 2025, contabilizou 946 sítios arqueológicos georreferenciados em Goiás.
Esse total representa os locais incluídos na base geográfica utilizada pelo estudo e não deve ser interpretado como a quantidade completa de sítios existentes no estado.
O levantamento nacional também identificou mais de 9 mil sítios arqueológicos sem georreferenciamento no Brasil, evidenciando que a dificuldade de localização ainda integra o desafio de preservar esse patrimônio.
Pinturas e gravuras contam histórias antigas
Entre os exemplos do patrimônio arqueológico goiano estão locais como a Toca da Onça e o Sítio do Bisnau, na região de Formosa.
Na Toca da Onça, pesquisadores documentaram pinturas rupestres, com representações de animais, figuras humanas e símbolos produzidos por populações antigas.

Pinturas rupestres preservadas na Toca da Onça, em Formosa, revelam vestígios da presença humana na região há milhares de anos. (Foto: Reprodução/IFG)
Já o Bisnau conserva gravuras feitas diretamente sobre a superfície das rochas, conhecidas como petroglifos.
Esses vestígios ajudam os arqueólogos a investigar como viviam os grupos humanos que ocuparam o Planalto Central antes da chegada dos colonizadores.
A preservação, porém, enfrenta ameaças como vandalismo, erosão e intervenções humanas.
Como encontrar sítios registrados há décadas?
A localização de um sítio arqueológico exige a combinação de documentos históricos, mapas, informações de moradores e levantamentos em campo.
Atualmente, o Iphan utiliza o Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG) para cadastrar e reconhecer os sítios arqueológicos brasileiros.
O órgão também mantém registros históricos do Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), incluindo locais cujas informações ainda não permitem a homologação no sistema mais recente.
A atualização das fichas de cadastro, realizada em dezembro de 2025, integra o esforço de modernização do registro desse patrimônio.
Embora existam informações públicas sobre os sítios já identificados, ainda é necessário obter do Iphan um balanço atualizado específico para Goiás, indicando quantos continuam sem coordenadas precisas, quantos foram perdidos ou afetados por obras e quais estão autorizados a receber visitantes.
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