Projeto de R$ 10,35 bilhões prevê fábrica capaz de produzir 2 milhões de toneladas de celulose por ano e gerar energia a partir de biomassa
Empreendimento prevê fábrica de grande porte, geração própria de eletricidade e estrutura ferroviária para transportar a produção

Um projeto industrial estimado em R$ 10,35 bilhões voltou a movimentar as expectativas de investimentos no Mato Grosso. A proposta prevê uma fábrica de celulose com capacidade para produzir 2 milhões de toneladas por ano, acompanhada de uma usina de geração de energia a partir de biomassa com potência anunciada de 372 MW.
O empreendimento pertence à Euca Energy e está previsto para Alto Araguaia, no sul do estado. Além da estrutura industrial, o complexo deverá contar com uma base florestal de eucalipto, ramal ferroviário próprio e terminal de cargas, formando uma operação integrada para fabricação e escoamento de celulose.
Fábrica será instalada em Alto Araguaia
A unidade foi projetada para produzir celulose branqueada de eucalipto, matéria-prima utilizada principalmente na fabricação de papéis, embalagens, produtos de higiene e outros materiais.
O investimento atualizado é estimado em aproximadamente US$ 2 bilhões, equivalentes a R$ 10,35 bilhões. Desse total, cerca de US$ 1,84 bilhão corresponde à implantação da fábrica industrial.

“O prefeito Gustavo Melo (PSB) esteve na reunião juntamente com o vice-prefeito, Freud Fraga, e o CEO da Euca Energy, o empresário e ex-senador Gilberto Goellner, do Grupo Girassol e diretores da empresa.” (Foto: Reprodução/Prefeitura AltoAraguiaia)
A capacidade planejada de 2 milhões de toneladas anuais coloca o empreendimento entre os grandes projetos de celulose previstos para o Centro-Oeste. A localização foi escolhida considerando a disponibilidade de áreas para cultivo de eucalipto, recursos hídricos e acesso à infraestrutura de transporte.
Ramal ferroviário deverá facilitar o transporte
A estrutura logística também faz parte do projeto. A Euca Energy prevê construir um ramal ferroviário próprio, conectado à malha existente, além de um terminal para carregamento e movimentação da celulose.
A proposta busca diminuir a dependência de caminhões para transportar grandes volumes de mercadorias e facilitar o envio da produção aos principais corredores de exportação.
A iniciativa ferroviária já havia avançado administrativamente em 2022, quando o Ministério da Infraestrutura recebeu o requerimento de autorização para construção e exploração da Estrada de Ferro Araguaia Celulose, com prazo solicitado de 99 anos.
Projeto começou a ser discutido em 2019
A fábrica não é uma ideia recente. Em julho de 2019, a Euca Energy recebeu a Licença Prévia ambiental para instalar a unidade em Alto Araguaia, após apresentar estudos de impacto ambiental e participar de audiências públicas.
Naquele momento, o investimento era estimado em R$ 9,5 bilhões e a capacidade produtiva já estava prevista em 2 milhões de toneladas anuais. Em outubro de 2020, a empresa também recebeu a Licença de Instalação, documento que autorizava o início das obras e tinha validade até 2025.
O cronograma, entretanto, foi adiado por questões econômicas e de estruturação do empreendimento. Por isso, a retomada anunciada em 2026 ainda depende de novas etapas de licenciamento, financiamento e aprovação do investimento.
Obras podem começar no fim de 2027
O planejamento mais recente divulgado prevê que as etapas de licenciamento, aprovações governamentais e estruturação financeira avancem até janeiro de 2027.
A aprovação definitiva do investimento pelos controladores está prevista para junho daquele ano. Na sequência, o cronograma indica cotações de equipamentos em agosto, publicação de documentos de licitação em outubro e início da construção em dezembro de 2027.
Caso todas as etapas sejam cumpridas, a conclusão das instalações está projetada para dezembro de 2028.
Investimento pode movimentar a economia regional
Quando foi apresentado pela primeira vez, o empreendimento tinha previsão de gerar até 8 mil postos de trabalho durante o pico das obras e aproximadamente 4,4 mil oportunidades na fase de operação, considerando as atividades industriais e florestais.
Essas estimativas são antigas e ainda precisam ser atualizadas para o novo cronograma. Mesmo assim, a dimensão do complexo indica potencial de movimentação para setores como construção civil, engenharia, transporte, manutenção industrial e produção de eucalipto.
Se sair do papel, a fábrica poderá mudar a estrutura econômica de Alto Araguaia, ampliando a participação da indústria de celulose e integrando produção florestal, geração de energia e transporte ferroviário em um único empreendimento.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo