Cientistas descobrem nova espécie de planta no Cerrado, dão nome de Marina Silva e revelam que ela já corre risco de extinção
Planta encontrada na região do Jalapão recebeu homenagem à ambientalista e já enfrenta ameaças provocadas pelo avanço do desmatamento e pela perda de seu habitat natural

Uma planta que cresce no Cerrado brasileiro, mas que até então não havia sido reconhecida como uma espécie diferente das demais, acaba de ganhar um nome científico e chamar a atenção dos pesquisadores por um motivo preocupante.
Batizada de Chamaecrista marinasilvae, em homenagem à ambientalista e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, a espécie foi identificada na região do Jalapão, no Tocantins, e já é considerada ameaçada de extinção.
A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e teve seus resultados publicados na revista científica internacional Nordic Journal of Botany.
O estudo faz parte da pesquisa de mestrado da bióloga Késia Ramos Miranda, desenvolvida sob orientação da professora Juliana Gastaldello Rando, com participação dos pesquisadores Raiana Rocha de Souza e Marcelo Fragomeni Simon.
A planta pertence à família das leguminosas e pode atingir até 3 metros de altura, apresentando ramos avermelhados ou esbranquiçados e flores amarelas.
Embora seja uma novidade para a ciência, exemplares da espécie já haviam sido coletados anteriormente. O problema é que estavam identificados como outra planta, a Chamaecrista juruenensis, devido às semelhanças entre elas.
Foi a partir de análises mais detalhadas que os pesquisadores conseguiram identificar características próprias e reconhecer que se tratava de uma espécie até então desconhecida.
Planta recém-descoberta já enfrenta ameaça de extinção
O que mais chamou a atenção dos cientistas, entretanto, foi a situação da planta em seu ambiente natural.
Com registros restritos ao Tocantins, a Chamaecrista marinasilvae foi classificada preliminarmente pelos pesquisadores na categoria “Em Perigo”, seguindo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Entre as principais ameaças estão o desmatamento, a expansão das atividades agrícolas, os incêndios e a perda de áreas naturais do Cerrado.
Parte dos exemplares identificados está localizada na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, uma unidade de conservação que ajuda a proteger a vegetação nativa da região.
Fora dessas áreas protegidas, entretanto, a espécie continua vulnerável às transformações provocadas pela ocupação humana.
A descoberta também reforça um problema enfrentado pelo Cerrado, bioma que ocupa grande parte de Goiás e abriga uma enorme variedade de plantas e animais que ainda não foram completamente estudados.
Nas redes sociais, Marina Silva comemorou a homenagem e afirmou que receber o nome de uma espécie é um dos maiores reconhecimentos possíveis para alguém que dedica a vida à preservação ambiental.
“Para uma ambientalista, ser homenageada com o nome de uma espécie é uma das maiores honrarias que se pode receber”, declarou.
Segundo ela, esta é a terceira vez que pesquisadores escolhem seu nome para batizar uma espécie biológica.
A ambientalista também agradeceu aos responsáveis pela pesquisa e destacou que a descoberta demonstra a importância de investir em ciência e na preservação das unidades de conservação.
Para os pesquisadores, o reconhecimento da nova espécie representa não apenas um avanço no conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, mas também um alerta sobre a necessidade de proteger plantas que podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas pela maior parte da população.
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