Água encontrada no subsolo fez cooperativa construir silo suspenso em Goiás capaz de guardar 12 mil toneladas de soja
O que parecia um obstáculo no terreno acabou levando os engenheiros a redesenhar uma das estruturas mais importantes de um complexo industrial bilionário que está sendo construído em Palmeiras de Goiás

Durante as primeiras etapas de construção de uma nova indústria de soja em Palmeiras de Goiás, engenheiros encontraram uma condição que obrigou a mudar parte do projeto: a água subterrânea estava muito próxima da superfície.
A descoberta dificultava a construção convencional do sistema que levaria os grãos dos silos até a fábrica. Em vez de insistir em escavações profundas, a Comigo decidiu colocar uma estrutura de armazenamento acima do nível do solo, criando um silo elevado com capacidade para 12 mil toneladas de soja.
Água tornaria túnel subterrâneo inviável

(Imagem: Reprodução/Indústria Pagé)
Em silos convencionais desse porte, parte do sistema de descarga fica abaixo do solo. Um túnel recebe equipamentos que transportam os grãos e os encaminham para outras etapas da unidade industrial.
O problema, segundo a própria cooperativa, é que o lençol freático no terreno de Palmeiras de Goiás é muito raso.
O diretor industrial da Comigo, Paulo Carneiro, explicou que seria necessário fazer uma base de concreto e um túnel sob o silo metálico. Com a água tão próxima da superfície, porém, esse túnel ficaria dentro do lençol freático.
A equipe de engenharia então passou a estudar alternativas até chegar ao modelo elevado.
Ao colocar a estrutura acima do terreno, a cooperativa conseguiu eliminar o túnel subterrâneo e reduzir a necessidade de escavações e espaços confinados.
O silo será conectado aos demais armazéns por correias transportadoras de grande capacidade. A soja poderá sair das estruturas de estocagem, passar pelo silo elevado e seguir continuamente para o processamento.
A Comigo afirma que o projeto foi desenvolvido por seus próprios engenheiros e considera a solução única no Brasil nessa aplicação para uma indústria de processamento de soja.
Estrutura comporta 200 mil sacas
As 12 mil toneladas correspondem a aproximadamente 200 mil sacas de 60 quilos.
A quantidade é suficiente para manter a nova fábrica funcionando durante dois dias ininterruptos se ela operar na capacidade máxima prevista de 6 mil toneladas processadas por dia.
O silo não substituirá os grandes armazéns do complexo. Ele funcionará como uma reserva intermediária, ajudando a manter fluxo constante de matéria-prima até a linha industrial.
Complexo receberá mais de R$ 1,5 bilhão
A estrutura faz parte do novo complexo industrial da Comigo em Palmeiras de Goiás, empreendimento que recebe investimento superior a R$ 1,5 bilhão.

(Imagem: Divulgação/Grupo COMIGO)
A fábrica foi projetada para processar 6 mil toneladas de soja por dia. Somada à atual indústria de Rio Verde, que possui capacidade de 5,5 mil toneladas diárias, a cooperativa poderá alcançar 11,5 mil toneladas processadas por dia.
O projeto também prevê até 450 mil toneladas de capacidade estática de armazenagem, produção de cerca de 4,3 mil toneladas de farelo por dia e ligação com a Ferrovia Norte-Sul para escoamento da produção.
Operação está prevista para 2027
Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Palmeiras de Goiás informou que a inauguração do complexo estava prevista para o início de 2027. A cidade chegou a criar, em parceria com a Comigo e o Senai, um programa de formação de profissionais para atender à futura unidade.
A cooperativa estima mais de 300 empregos diretos na operação e impacto sobre mais de 700 trabalhadores, considerando também serviços e atividades indiretas.
Assim, uma condição encontrada debaixo da terra acabou mudando o desenho da fábrica e criando uma das estruturas mais peculiares do projeto: um silo de milhares de toneladas sustentado acima do solo para manter a soja longe do problema provocado pela água subterrânea.
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