Presidente da CDL prevê alta de até 8% nas vendas da Black Friday em Anápolis e alerta consumidores
Luis Miguel Mendes avalia que o comércio deve vender mais, mas com compras de menor valor e famílias mais cautelosas diante dos juros elevados

A Black Friday de 2026 deve trazer um alívio para o comércio de Anápolis após um ano marcado por oscilações nas vendas e maior cautela dos consumidores. Apesar do cenário econômico desafiador, a expectativa é de crescimento no faturamento e aumento do movimento nas lojas físicas.
Em entrevista ao Portal 6, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Anápolis (CDL), Luis Miguel Mendes, afirmou que a projeção é de uma alta entre 5% e 8% nas vendas em comparação com a Black Friday de 2025.

Presidente da CDL prevê crescimento de até 8% nas vendas da Black Friday em Anápolis e explica o que mudou no comportamento dos consumidores. (Foto: Portal 6)
O resultado, segundo ele, representa uma perspectiva positiva para um setor que enfrentou períodos de retração ao longo do ano. Entretanto, o crescimento esperado não significa necessariamente que os consumidores estejam dispostos a gastar mais.
Isso porque a previsão é de aumento superior a 12% no volume de transações e produtos vendidos, acompanhado de uma redução no valor médio das compras.
O tíquete médio estimado para este ano está entre R$ 300 e R$ 350. Na avaliação de Mendes, a tendência indica que as famílias devem aproveitar as promoções para adquirir mais produtos de menor valor, em vez de concentrar os gastos em itens caros.
O presidente relaciona esse comportamento à restrição do orçamento familiar, às dificuldades de acesso ao crédito e aos juros elevados.
Diante dessas condições, parte dos consumidores tende a priorizar compras com recursos próprios, evitando comprometer a renda dos próximos meses com financiamentos e parcelamentos.
Lojas do Centro aparecem entre as preferidas
Uma pesquisa realizada pela CDL Anápolis com 300 pessoas, entre os dias 9 e 31 de outubro, ajuda a entender como os consumidores pretendem aproveitar a Black Friday.
Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados afirmaram que pretendem comprar durante as promoções. Outros 30,3% ainda não decidiram, enquanto 27,7% disseram que não pretendem gastar na data.
O percentual de indecisos representa uma oportunidade para os comerciantes, que poderão conquistar clientes por meio de ofertas mais atrativas ao longo de novembro.
Quando questionados sobre os locais de preferência para as compras, 24,4% citaram as lojas do Centro de Anápolis. Os shoppings aparecem em seguida, com 22,7%, enquanto a internet recebeu 18,9% das respostas.
A distribuição muda quando a pesquisa considera os canais de compra. Nesse caso, 37% demonstraram preferência pelo ambiente online, 34% pelas lojas físicas e 29% afirmaram que pretendem utilizar as duas modalidades.
Para Luis Miguel Mendes, a presença do comércio eletrônico não deve ser interpretada como uma ameaça inevitável ao varejo presencial.
“O online tá enfrentando o mesmo desafio de crescimento”, afirmou o presidente, ao explicar que as diferentes modalidades de venda são afetadas pelo comportamento da economia.
Ele observa que muitos consumidores utilizam a internet para comparar preços e conhecer os produtos, mas continuam recorrendo às lojas físicas para concluir as compras.
Por isso, defende que os estabelecimentos de rua e dos shoppings ampliem sua presença digital e ofereçam diferentes possibilidades de atendimento e venda.
Roupas, calçados e eletrônicos lideram buscas
A pesquisa também identificou os produtos que mais despertam o interesse dos consumidores.
As roupas lideram as intenções de compra, mencionadas por 72,3% dos entrevistados. Em seguida aparecem eletrônicos e eletrodomésticos, com 69,7%, e calçados, com 68,5%.
Perfumes, cosméticos, brinquedos e artigos para casa também estão entre os itens procurados. Nessa parte do levantamento, os participantes puderam escolher mais de uma categoria.
Embora os eletrônicos apresentem procura expressiva, o presidente da CDL acredita que o comércio de itens de menor valor poderá se beneficiar especialmente da busca por economia.
O dirigente destaca que a redução esperada no tíquete médio sugere uma preferência por compras mais distribuídas, que atendam às necessidades da família sem exigir grandes desembolsos.
O levantamento também revelou diferenças significativas no orçamento dos consumidores. Enquanto 22,3% pretendem gastar até R$ 200, outros 21% planejam desembolsar mais de R$ 2 mil.
Em relação ao pagamento, o dinheiro aparece com 23,5% das respostas, seguido pelo Pix, com 22,3%. O cartão de crédito à vista representa 19,3%, enquanto o crédito parcelado corresponde a 17,6%.
Para Mendes, a preferência por modalidades que não envolvem financiamento reforça a preocupação com os custos do crédito.
Promoções começam antes do dia oficial
A Black Friday será realizada oficialmente em 27 de novembro. No entanto, a expectativa é de que parte dos comerciantes antecipe as ofertas durante o mês, aproveitando campanhas conhecidas como Black November.
Segundo o presidente da CDL, alguns estabelecimentos concentram os descontos em um único dia, enquanto outros estendem as condições especiais por uma semana ou até durante todo o mês.
A estratégia busca ampliar o período de vendas e alcançar consumidores que preferem pesquisar preços antes de decidir pela compra.
Esse comportamento também aparece na pesquisa da entidade. Ao todo, 65,5% dos entrevistados afirmaram que costumam ou ocasionalmente pesquisam os valores dos produtos antes da Black Friday.
O desconto foi apontado como principal fator de influência na decisão de compra, com 22,7% das respostas. A qualidade do produto apareceu com 18,1%, seguida pelo preço final e pela confiança na loja, ambos com 16,4%.
Diante desse cenário, Mendes considera fundamental que os lojistas apresentem promoções verdadeiras.
Ele ressalta que o consumidor está cada vez mais informado e pode identificar quando um estabelecimento aumenta artificialmente o preço de um produto antes de anunciar um desconto.
Black Friday deve antecipar compras de Natal
Outro fator que contribui para o otimismo do comércio é a proximidade com o Natal.
De acordo com a CDL, 43,7% dos entrevistados pretendem aproveitar a Black Friday para antecipar a compra de presentes. Outros 27,3% ainda consideram essa possibilidade.
Para Luis Miguel Mendes, parte do crescimento esperado em novembro pode estar relacionada justamente à decisão de aproveitar preços promocionais que talvez não sejam encontrados em dezembro.
Apesar disso, o presidente não acredita que a antecipação das compras provoque necessariamente uma queda no movimento durante o Natal.
“Me parece que a gente vai ter uma continuidade”, afirmou, ao avaliar que o movimento deve permanecer aquecido em dezembro, mas sem garantia de crescimento expressivo em relação ao ano passado.
O dirigente também defende a valorização do comércio local como forma de fortalecer a economia do município.
“O comércio de Anápolis está preparado para oferecer boas oportunidades aos consumidores. Ao escolher as lojas da cidade, o consumidor aproveita as ofertas e contribui diretamente para fortalecer a economia local, gerar empregos e manter os negócios”, destacou Mendes, em comunicado divulgado pela CDL.
CDL alerta para golpes e descontos falsos
O aumento das promoções também exige atenção dos consumidores, especialmente nas compras realizadas pela internet.
Luis Miguel Mendes alerta para anúncios que oferecem produtos por valores muito inferiores aos praticados no mercado. Segundo ele, descontos aparentemente milagrosos podem esconder tentativas de fraude.
O presidente recomenda que os consumidores não se deixem levar por “propostas milagrosas”, sobretudo quando os valores anunciados parecem incompatíveis com os preços habituais.
A orientação é verificar se a empresa realmente existe, consultar avaliações de outros compradores e desconfiar de links recebidos por mensagens ou publicados em páginas desconhecidas.
Também é importante acompanhar o histórico de preços dos produtos desejados, evitando ofertas que aparentam grandes descontos, mas reproduzem valores já praticados anteriormente.
O presidente lembra que a Black Friday surgiu como uma oportunidade de renovar estoques e abrir espaço para novas mercadorias. Por isso, as reduções de preço podem ser reais, desde que sejam compatíveis com as condições do mercado.
Para a CDL, o desafio dos comerciantes será equilibrar preços competitivos, atendimento de qualidade e transparência nas promoções, enquanto os consumidores buscam aproveitar as ofertas sem comprometer o orçamento familiar.
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