Santiago Peña depõe neste sábado após passar a noite em prisão domiciliar no Paraguai

Ex-presidente ficou sob custódia horas depois do impeachment e enfrenta três suspeitas de crime; entenda o que pesa contra ele

Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai em prisão domiciliar, fala ao lado da bandeira paraguaia em vídeo divulgado nas redes sociais
Santiago Peña anunciou a renúncia em vídeo nas redes sociais um dia antes de o Senado aprovar o impeachment (Imagem: Reprodução/Instagram)

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña presta depoimento ao Ministério Público neste sábado (7), às 11h, em Assunção. Ele passou a noite em prisão domiciliar, horas depois de o Senado aprovar seu impeachment, na sexta-feira (6).

A ordem de prisão partiu dos promotores da unidade de Delitos Econômicos e Anticorrupção, que investigam a quebra do Ueno Bank. Segundo a promotoria, Peña é suspeito de lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. Ele nega irregularidades.

Além disso, a mesma ordem pediu a prisão de Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. Antes de ser nomeado por Peña em 2023, Carvallo dirigia a financeira que depois virou o Ueno, segundo a Associated Press.

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Prisão domiciliar de Santiago Peña é provisória

A medida vale até que um juiz decida onde Peña deve ficar durante o processo criminal, conforme o promotor Christian Benítez disse à CNN. Por isso, o depoimento deste sábado não define sozinho a situação do ex-presidente.

Enquanto isso, o então vice Pedro Alliana tomou posse diante do Congresso logo após a votação. Assim, ele deve completar o mandato, que termina em agosto de 2028.

Impeachment de Santiago Peña levou menos de 48 horas

Na quinta-feira (5), Peña anunciou a renúncia enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura do processo. Minutos depois, os deputados aprovaram a acusação por 78 votos a zero, com apoio de integrantes do próprio Partido Colorado.

No entanto, o Congresso não chegou a aceitar a renúncia. Na prática, isso manteve Peña no cargo até o julgamento e tirou dele a imunidade de senador vitalício, que os ex-presidentes recebem no país.

Na sexta, os 44 senadores presentes votaram pela destituição, de acordo com a Associated Press. Antes da votação, o Senado negou o pedido de mais 72 horas para preparar a defesa. Peña não compareceu, e os advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda falaram por ele.

Crise do Ueno Bank deixou milhões sem acesso ao dinheiro

A crise começou quando o Banco Central assumiu o Ueno Bank, banco digital que entrou em crise de solvência. Com a intervenção, quase metade dos mais de 6 milhões de paraguaios perdeu acesso às economias e aos cartões, o que levou centenas de aposentados, estudantes e correntistas às ruas de Assunção.

Nesta semana, a Justiça mandou seis ex-diretores do banco para a prisão preventiva e outros dois para a prisão domiciliar. Em seguida, Alliana prometeu compensar os correntistas prejudicados.

Entre as acusações do impeachment está a participação de Peña na holding dona do Ueno. Ele declarou ações da empresa em 2023 e só as vendeu em abril de 2025, já durante o mandato. Ainda assim, a decisão do Senado encerrou o governo, mas não equivale a uma condenação criminal.

Como o Portal 6 mostrou, Santiago Peña anunciou a renúncia na quinta-feira, em meio ao escândalo financeiro.

Danilo Boaventura

Danilo Boaventura

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduado em Docência em Comunicação pela Faculdade Cidade Verde (PR) e mestrando em Marketing Político pela Universidad del Salvador, de Buenos Aires.