O que é o ‘emprego de garotas preguiçosas’? Método virou tendência entre a geração Z
Uma nova geração decidiu revisar regras que pareciam imutáveis até pouco tempo atrás e o debate ganhou força longe dos escritórios tradicionais

Um novo conceito de trabalho ganhou força nas redes sociais e passou a chamar a atenção de especialistas em comportamento organizacional: os chamados lazy girl jobs.
Apesar do nome provocativo, a expressão não se refere à falta de comprometimento profissional, mas a uma reavaliação consciente das exigências impostas pelo mercado de trabalho, especialmente entre jovens da geração Z.
A tendência prioriza equilíbrio emocional, previsibilidade e qualidade de vida, sem abrir mão de estabilidade financeira.
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O termo se popularizou após vídeos da criadora de conteúdo norte-americana Gabrielle Judge, que viralizaram no TikTok ao mostrar rotinas profissionais consideradas pouco estressantes, majoritariamente remotas e com remuneração elevada.
Em suas publicações, Judge afirma que o uso da palavra “lazy” foi propositalmente irônico, como uma crítica à romantização de jornadas excessivas.
Segundo ela, buscar limites saudáveis não deveria ser interpretado como falta de ambição, mas como uma escolha racional diante de um sistema desgastante.
Por trás da tendência, especialistas identificam a influência do chamado movimento antitrabalho, que questiona a cultura da produtividade extrema e o vínculo direto entre valor pessoal e desempenho profissional.
O fenômeno dialoga com práticas como a “demissão silenciosa”, conceito amplamente discutido por consultorias de recursos humanos e centros de pesquisa, no qual o trabalhador cumpre estritamente o que foi acordado em contrato, evitando sobrecargas não remuneradas.
Para a professora Suzy Welch, da NYU Stern School of Business, o sucesso do termo entre jovens revela um desejo crescente de evitar ansiedade e burnout.
Em entrevista à CNBC, Welch argumenta que muitos integrantes da geração Z cresceram em ambientes altamente protegidos e, ao se depararem com pressões intensas no mercado, optam por reavaliar as regras do jogo.
Segundo ela, a tendência não representa fuga do trabalho, mas uma tentativa de redefinir prioridades. Já profissionais como Danielle Roberts, que se apresenta como “coach anticarreira”, enxergam os lazy girl jobs como um sinal de amadurecimento coletivo.
Para ela, trata-se de uma reação legítima a modelos de trabalho que historicamente adoeceram trabalhadores. Roberts destaca que, com o avanço da tecnologia, flexibilidade e eficiência não são opostos.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e estudos recorrentes do Pew Research Center indicam que modelos flexíveis podem manter ou até aumentar a produtividade, reforçando que a tendência vai além de uma moda digital e reflete uma transformação estrutural no mundo do trabalho.
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