Quatro viram réus sob acusação de morte de jovem jogada sem cordas de ponte em SP

Defesa será apresentada e envolvidos podem ser submetidos a júri popular, caso haja elementos suficientes para julgá-los por homícidio doloso

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Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada sem corda em um salto de rope jump.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada sem corda em um salto de rope jump. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

ANDRÉ FLEURY MORAES – A juíza Marcella Caliani, da 2ª Vara Criminal de Limeira, interior de São Paulo, aceitou nesta segunda-feira (13) a denúncia do Ministério Público que acusa quatro pessoas pelo envolvimento na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21. Ela foi arremessada de uma ponte sem equipamentos de proteção durante a prática de um salto.

Todos os acusados agora viram réus e uma ação penal é iniciada. No curso do processo, a defesa será apresentada e os envolvidos podem ser submetidos a um júri popular, caso a juíza entenda que há elementos suficientes para julgá-los por homícidio doloso (com intenção).

Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves, e Evelyne dos Santos Gonçalves são acusados de homicídio doloso duplamente qualificado. No caso de Evelyne, que não atuou diretamente no salto, a Promotoria diz que sua responsabilidade se deu por omissão.

Ela também responderá por fraude processual —o Ministério Público diz que a mulher atuou para esconder uma câmera GoPro acoplada ao braço de Maria Eduarda no momento do salto.

A defesa de Maicon e Luís Felipe, representada pelo advogado Rafael Gomes dos Santos, afirmou que discorda da imputação atribuída aos seus clientes e que eles “não tiveram a intenção de ceifar a vida da vítima, tampouco assumiram o risco da conduta, agindo culposamente”.

Já a advogada Olga Popoviche, que representa Vitor de Freitas, afirmou que “a imputação atribuída a Vitor não demonstra, de forma individualizada, qual teria sido sua efetiva contribuição para a configuração dos elementos subjetivos e objetivos do delito”.

A Folha ligou para o telefone que consta do registro na OAB do advogado Maurício Marchiori, que defende Evelyne, mas não obteve retorno na tarde desta terça-feira (14).

Todos os quatro estão presos.

Maria Eduarda morava em Jandira (SP) e havia se deslocado até Limeira somente para praticar o salto. Foi a décima sétima a saltar naquele dia e optou pela modalidade aviãozinho, quando instrutores arremessam o cliente de cima da ponte.

Sem estar presa às cordas de segurança, porém, ela caiu em queda livre, sofreu múltiplas fraturas e morreu ainda no local.

A Promotoria diz que os réus agiram com dolo eventual —quando se assume o risco de produzir um resultado.

A chamada ponte do Esqueleto é um ponto tradicional de saltos e fica na divisa entre Limeira e Cordeirópolis. Foi construída décadas atrás para a RFFSA (Rede Ferroviária Federal) mas acabou abandonada após o fim do projeto ferroviário.

A Folha esteve no local em 15 de junho e mostrou que a estrutura era um local de fácil acesso e nenhuma segurança.

No dia 17, a Prefeitura de Limeira deu início a obras para impedir o acesso à ponte. Segundo a administração, a intervenção inclui o fechamento de acessos irregulares e complementa ações emergenciais que já haviam sido executadas na área anteriormente.

“A atuação ocorre após o Governo Federal reconhecer sua responsabilidade pela área e solicitar apoio operacional do município para ampliar a proteção do espaço até a adoção de medidas definitivas”, afirmou a gestão municipal.

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