Ensino médio dos estados melhora no Ideb 2025 puxado por alta da aprovação
Principal indicador de qualidade da educação do país, o Ideb teve os resultados de 2025 divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação

ISABELA PALHARES E PAULO SALDAÑA – As redes estaduais do país tiveram um pequeno aumento no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do ensino médio, que passou de 4,1 para 4,3. O aumento é puxado sobretudo pela elevação da taxa de aprovação dos estudantes nessa etapa.
Principal indicador de qualidade da educação do país, o Ideb teve os resultados de 2025 divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação. A média de 4,3 é a maior já alcançada, mas ainda está muito distante da meta de 4,9, que deveria ter sido atingida em 2021.
O aumento no indicador é reflexo da alta na taxa de aprovação, já que não houve avanços significativos no desempenho dos estudantes. O Ideb é calculado multiplicando a taxa média de aprovação (fluxo escolar) e a nota média dos alunos em provas de matemática e português.
Em 2025, as redes estaduais registraram o maior indicador de rendimento, de 0,95 calculado com base na taxa média de aprovação dos alunos do ensino médio e medido em uma escala de 0 a 1. Foi o maior índice já registrado desde o início da série histórica do Ideb, em 2005.
Caso as redes estaduais tivessem mantido o indicador de rendimento de 2023, de 0,92, elas continuariam no mesmo patamar do Ideb, com média de 4,1.
Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, nos últimos anos, diversos estados do país aprovaram regras para evitar reprovar os estudantes, adotando estratégias chamadas de progressão continuada (em que a reprovação só ocorre no último ano da etapa, ou seja, no 3º ano do ensino médio) ou a aprovação parcial (quando, mesmo reprovados em algumas disciplinas, os alunos passam de ano).
A elevação da taxa de aprovação é um objetivo buscado pelo país há anos, já que diversos estudos apontam que a reprovação não garante o aprendizado no ano seguinte e ainda aumenta as chances de o estudante abandonar os estudos.
No entanto, especialistas alertam que o rápido crescimento dessa taxa pode ser um resultado artificial, consequência de políticas que determinam a aprovação exatamente para inflar indicadores, como o Ideb.
Os resultados do Ideb 2025 mostram que houve pouco avanço no aprendizado dos estudantes nessa etapa. A média foi de 268,52 em matemática e 273,32 em português apenas 4,21 e 3,39 pontos a mais para cada disciplina do que o registrado em 2023.
Isso ainda está muito distante das notas que seriam consideradas ideais, de 350 e 300 pontos, respectivamente.
Entre os estados que tiveram maior avanço no Ideb nessa etapa, o aumento da aprovação foi mais expressivo que o aumento das notas dos estudantes nas provas. É o caso, por exemplo, do Rio Grande do Norte (governado por Fátima Bezerra, PT), que teve uma alta de 0,7 pontos no indicador, passando de 3,2, em 2023, para 3,9, em 2025.
O aumento das notas dos alunos foi pouco significativo, passando de 253,69 para 254,60 em matemática e de 257,71 para 260,73 em português. O estado, no entanto, registrou o maior aumento na taxa de aprovação do país ao possibilitar em 2025 que os estudantes fossem reprovados em até seis disciplinas escolares e ainda assim passassem de ano. Com a mudança, a taxa de aprovação no Rio Grande do Norte passou de 77% para 93%.
Outro estado que também adotou mudanças na forma de aprovação dos alunos e conseguiu aumentar o Ideb foi o Rio de Janeiro. No ano passado, sob a administração do então governador Cláudio Castro (PL), o estado passou a liberar a aprovação parcial dos estudantes.
Com essa alteração, o Rio de Janeiro teve uma alta de 0,4 pontos no Ideb, passando de 3,3 para 3,7, mesmo tendo registrado queda no desempenho dos estudantes. A média de matemática caiu 0,66 pontos e a de português, 3,33 pontos.
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